Publicado em 16/05/2019 às 10h56.

Bolsonaro entra em nova fase: a revolta pula das redes para as ruas

Moral da história: protesto no governo dos outros é refresco

Levi Vasconcelos
Foto: Valter Campanato/ Agência Brasil
Foto: Valter Campanato/ Agência Brasil

 

Se as multidões que foram às ruas ontem no protesto contra o corte nas verbas da educação são mesmos ‘idiotas úteis’ ou militantes com motivações ideológicas, por que eles nunca estiveram nas manifestações do Lula Livre?

Elementar: fogo só pega em palha seca, como diz a sabedoria popular. E assim como as manifestações de 2013 contra Dilma, a do bate panelas nas janelas, vitaminada pela indignação generalizada com a corrupção escancarada pela Lava Jato, quando a indignação saltou das redes sociais para as ruas. E Luta também era alvo das tais.

Refresco

Ironia. Foram estas mesmas indignações que resultaram na vitória de Bolsonaro. Agora, quem está nas ruas é a estudantada, presidente. E vai lá porque sente o seu futuro ameaçado. Com o detalhe: a classe média, os meninos que frequentam as melhores escolas particulares na expectativa de conquistar vagas nas universidades federais, estão incomodados. As propostas do governo mexem diretamente com tais expectativas.

O PT, nem nenhum partido de esquerda, tem gás para embalar tanta gente, mais ainda, gente jovem. No máximo, pongam na onda. O fato é que o governo, desde o início disparando petardos por todos os lados, desta vez atingiu um alvo sensível.

Outra ironia: no tempo do PT, os que hoje estão no poder diziam das manifestações que a sociedade reagia aos descalabros. Agora, os que estão nos protestos são idiotas manipulados. Moral da história: protesto no governo dos outros é refresco.

Levi Vasconcelos

Levi Vasconcelos é jornalista político, diretor de jornalismo do Bahia.ba e colunista de A Tarde.

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