Publicado em 01/10/2018 às 15h22.

Lula e Dilma acertaram propina em 2010, diz Palocci em delação

Parte do acordo de colaboração do ex-ministro teve o sigilo quebrado pelo juiz Sérgio Moro

Redação
Foto: Wilson Pedrosa/Agência Estado
Foto: Wilson Pedrosa/Agência Estado

 

O ex-presidente Lula (PT) participou de uma reunião no Palácio do Planalto na qual foi acertada propina para a campanha daquela que viria a ser sua sucessora, afirmou o ex-ministro Antonio Palocci, em seu acordo de delação premiada.

Ainda de acordo com o delator, a ex-presidente Dilma Rousseff também teria participado do encontro. As acusações, negadas por Lula e Dilma, já haviam sido feitas em depoimentos anteriores de Palocci, informa a colunista Mônica Bergamo, da Folha.

Segundo Palocci, o PT ficava com 3% dos contratos de publicidade da Petrobras. No anexo 1 de sua delação, o ex-ministro afirma “que era comum Lula, em ambientes restritos, reclamar e até esbravejar sobre assuntos ilícitos que chegavam a ele e que tinham ocorrido por sua decisão; que a intenção de Lula era clara no sentido de testar os interlocutores sobre seu grau de conhecimento e o impacto de sua negativa”.

Parte do acordo de colaboração do ex-ministro teve o sigilo quebrado pelo juiz Sérgio Moro. Em seu despacho, o magistrado disse que “examinando o seu conteúdo, não vislumbro riscos às investigações em outorgar-lhe publicidade”.

As informações foram incluídas em ação penal relativa ao Instituto Lula. Entre os benefícios concedidos ao ex-ministro, estão redução de 2/3 da pena. Ele também terá que pagar multa de R$ 35 milhões.

Palocci ainda relatou que houve a “ideia de nacionalização do projeto do pré-sal”, o que ocorreu “pelo aspecto social, de geração de empregos e desenvolvimento nacional, e objetivo, para atendimento dos interesses das empreiteiras nacionais, as quais tinham ótimo relacionamento com o governo”.

No documento, o ex-auxiliar de Lula também afirmou que seria “muito mais fácil discutir com a OAS,  Odebrecht, Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa contribuições para campanhas eleitorais do que se tentar discutir os mesmos assuntos com empresas estrangeiras”.