O jumento pede respeito. Do jeito que matam, vamos ao extermínio
Que mal fez esta espécie de tantos e tão relevantes serviços prestados à humanidade para ter um destino tão cruel?
Frase da vez
“Nenhum fato na longa história do mundo é tão chocante como os amplos e repetidos extermínios de seus habitantes”
Charles Darwin
Uma pausa nas nossas querelas políticas para falar de um assunto sério.
Dizem os ativistas da causa animal que algumas espécies exigem atenção especial por estarem ameaçadas de extinção, quase sempre por conta de uma ação mais irresponsável do que intencional do homem, mas no caso dos jumentos há um diferencial perverso: a ameaça é de extermínio por conta de uma ação deliberadamente assassina, pela forma.
Confere. É crescente nas redes sociais a indignação contra o intensivo abate de jumentos em frigoríficos de Miguel Calmon e Itapetinga, às vezes até 300 por dia em cada.
Suscita a pergunta: que mal fez esta espécie de tantos e tão relevantes serviços prestados à humanidade para ter um destino tão cruel?
Nas cavernas
Como a legislação brasileira proíbe o abate de jumentos para o consumo da carne, a crueldade se amplia. Os chineses que fazem o abate em Itapetinga, por exemplo, dizem que só se interessam pelo couro, levado para a China como matéria prima para bolsas, calçados e afins. Não é só isso.
Otávio Pimentel, empresário baiano que toca a ZPE de Ilhéus, diz que o principal produto aproveitado é o colágeno, usado especialmente na indústria farmacêutica. O jumento tem uma alta concentração. Lá, a carne é consumida, mas como subproduto.
Do jeito que fazem é algo que beira a estupidez nestes tempos em que se fabrica até próteses com outros materiais. Se fizermos um comparativo entre a civilidade e o homem das cavernas, vamos verificar que a prática está muito mais para as cavernas, quando o homem matava animais para fazer suas vestes, algo tão primário que chega a esbofetear o bom senso, até mesmo para quem abate.
Otávio conta que um amigo dele que abate se disse estupefato:
— Estamos recebendo jumentos de até 60 quilos. Ora, 60 quilos é peso de carneiro e cabra.
A questão: por que não disciplinar a criação como fazem com bois, jacarés, cabras e outros animais? Abandonados da sua tradicional serventia como auxiliar do homem na labuta, o transporte de cargas e pessoal principalmente, eles vivem a vagar sem que haja qualquer tipo de controle nem ao menos na saúde.
Dia 25 próximo, um domingo, a Frente Nacional em Defesa dos Jumentos vai protestar no Farol da Barra. O grupo defende a criação de santuários para colocar os animais, mas por agora, o fundamental é conscientizar. Claro que é. A começar pelas autoridades, que ainda permitem isso.
Abaixo o atraso!
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