Publicado em 07/08/2017 às 07h03.

Políticos buscam se distanciar de executivos da Odebrecht

Mario Negromonte Jr. e Cacá Leão, por exemplo, alegam que conheceram delatores por acaso, tiveram encontros esporádicos ou foram confundidos com parentes

Redação
Foto: Bruno Concha/ Ag. Haack/ bahia.ba
Foto: Bruno Concha/ Ag. Haack/ bahia.ba

 

Políticos alvos das investigações abertas no Supremo Tribunal Federal (STF) com base na delação da Odebrecht têm buscado, em depoimento à Polícia Federal, se distanciar dos principais executivos da empreiteira, de acordo com o jornal Folha de S. Paulo.

Eles alegam que conheceram delatores por acaso, tiveram encontros esporádicos ou foram confundidos com parentes que também são políticos. Treze parlamentares já prestaram depoimento nos 77 inquéritos abertos em abril. Eles estão sob suspeita de terem recebido dinheiro não contabilizado para campanhas eleitorais ou de atuar em esquema de desvio de recursos.

Ao depor, o deputado Mario Negromonte Jr. (PP-BA) disse que “somente foi apresentado” ao ex-executivo José de Carvalho Filho, outro delator, “de forma ocasional, não se recordando se foi em algum evento social ou no aeroporto durante algumas de suas viagens”. Carvalho Filho disse ter doado a ele R$ 110 mil via caixa dois em 2014.

O senador Romero Jucá (PMDB-RR) afirmou que “encontrou por acaso” Claudio Melo Filho, ex-diretor de Relações Institucionais da empreiteira, no Senado, “já que ele sempre estava nas casas legislativas”, mas não se lembra se o encontro foi no gabinete ou em outra área do Senado.

Na ocasião, segundo a delação, Jucá perguntou a Melo Filho se a Odebrecht poderia fazer doações para o PMDB de Roraima para a campanha de seu filho Rodrigo, que concorria a vice ao governo em 2014. Rodrigo Jucá é suspeito de ter recebido R$ 150 mil não declarados para a campanha.

O aeroporto também foi ponto de encontro “por acaso” do deputado Cacá Leão (PP-BA) com Carvalho Filho, segundo relato do político. Suspeito de ter recebido R$ 30 mil por meio de caixa dois, Leão disse ter conhecido Carvalho Filho em 2015 no saguão de um aeroporto.

Segundo ele, ambos se encontraram “em uma ou duas oportunidades por acaso, também em aeroportos, ocasiões em que houve cumprimentos por educação” e não trataram sobre doações eleitorais “ou qualquer outro assunto”.