Publicado em 12/07/2019 às 17h13.

Presos da Lava Jato foram grampeados sem autorização judicial, diz laudo da PF

O aparelho usado para realizar as gravações foi encontrado em 2014 pelo doleiro Alberto Youssef, ao inspecionar sua cela

Redação
Um dos condenados, o doleiro Alberto Youssef. (Valter Campanato/Agência Brasil)
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

 

Presos da Operação Lava Jato foram grampeados ilegalmente em 2014 por uma escuta telefônica instalada em uma cela da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, no Paraná, aponta parecer de uma sindicância interna da própria PF, revelado pela Folha.

Foram mais de 260 horas de conversas gravadas de maneira irregular, segundo o documento. O aparelho usado para realizar as gravações foi encontrado pelo doleiro Alberto Youssef, ao inspecionar sua cela.

Na época, especulou-se que a escuta estaria lá desde 2008, quando o traficante Fernandinho Beira-Mar ficou detido no local.

Conforme o laudo, foram identificadas as vozes da doleira Nelma Kodama, que trabalhava com Youssef, e do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa.

Em setembro de 2015, o analista de inteligência da PF Dalmey Fernando Werlang confirmou, em depoimento ao então juiz Sérgio Moro, que instalou escutas na cela de Youssef às vésperas da primeira fase da Lava Jato, em março de 2014.

Ele disse que foi orientado por delegados da Polícia Federal de Curitiba. Os policiais negaram relação com o episódio.

Gravações consideradas ilegais já foram usadas por advogados para pedir a anulação de operações policiais, como a Satiagraha.

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