Fim de folia, 2016 abre alas para os pepinos de 2015, piorados
Questão política trava a economia, a presidente não tem liderança para pautar as saídas e a oposição quer ver o circo pegar fogo para entrar na brecha
Dizem que no Brasil o ano só começa depois do carnaval. Se assim o é, enfim a folia abre hoje alas para os pepinos de 2015 entrarem em 2016 piorados, ainda por cima com o tempero do zika vírus.
Recapitulando: fechamos dezembro com a economia em recessão e nenhum sinal de reação. Com Dilma sob a ameaça de um impeachment pautado pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), que está atolado até o pescoço na Lava Jato, além de travar o andamento do processo contra ele próprio, por falta de decoro.
De quebra, Dilma aguarda a apreciação, pela Câmara, do julgamento das contas de 2014, a das “pedaladas fiscais”. E também o processo por gastos indevidos na campanha, pelo TSE.
Enfim, a questão política travando a economia, uma presidente sem liderança para pautar as saídas e uma oposição querendo ver o circo pegar fogo para entrar na brecha.
Petrobras, a vice-campeã – Para completar, a Petrobras, a nossa principal empresa, já dilapidada pela quadrilha do petrolão, começou 2016 sofrendo dois rudes golpes:
1 – O Jed Rakoff, juiz distrital em Manhattan, EUA, autorizou investidores a processar a empresa em grupo por causa das perdas bilionárias decorrentes de suborno;
2 – Acaba de ser eleita pelo Portal Transparência Internacional, com sede em Berlim, como vice-campeã mundial de corrupção. Concorreu com 399 outros casos, só perdeu para o ex-presidente ucranianio Viktor Yanukovich e ganhou (disparado) até da Fifa.
Ora, a Petrobras é a empresa que mais irrigava a economia brasileira. Uma pequena ponta do desastre está em Maragogipe, no Recôncavo baiano, onde o estaleiro Enseada do Paraguaçu ia de vento em popa, com 82% da obra pronta, e de repente parou. Lá, a única coisa que cresce é a criminalidade.
Terra arrasada – A oposição até festejou a postergação da decisão sobre o impeachment para o pós-carnaval. Apostou que o recesso de fim de ano e a folia dariam tempo para os deputados consultarem as bases e ver de perto a insatisfação com o desemprego e outras agruras da crise econômica.
Mais: agora, com o mundo de volta à normalidade cotidiana, as pessoas começariam a sentir com mais vigor as agruras da crise. O que complicaria mais a situação do governo. É a tese do quanto pior, melhor. Que parece estar se configurando, infelizmente.
Na banda governista, Dilma começou fevereiro indo ao Congresso. Levou umas vaiazinhas, mas seria algo inimaginável ano passado. Trabalho de Jaques Wagner, agora ministro da Casa Civil, que estaria pavimentando os caminhos do diálogo com as bases, que na era Aloisio Mercadante oscilava entre zero e nenhuma.
Não é à toa que Jaques Wagner sofreu as bordoadas pela troca de mensagens com Leo Pinheiro, da OAS. Tenta-se minar o que ainda resta de politicamente bem articulado, como se alguém entre políticos saísse incólume desse jogo podre.
O cenário é desolador. A vocês, um feliz Ano Novo. Mas acho que não vai ser tão feliz, infelizmente.
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