O Ministério Público Federal (MPF) denunciou, na última terça-feira (14), três britânicos por tráfico de drogas. Segundo o órgão, George Edward Saul, Robert James Delbos e Matthew Stephen Bolton foram responsáveis pelo transporte de mais de uma tonelada de cocaína (1.157,496 kg), escondida no casco de veleiro apreendido no arquipélago de Cabo Verde.
A embarcação, que partiu de Salvador com destino à Europa, em agosto de 2017, foi apreendida com dois baianos e um gaúcho que chegaram a ficar presos por 18 meses. Em seguida, os brasileiros foram soltos e declarados inocentes pelo inglês Delbos, em depoimento à Polícia Federal.
Divisão de tarefas
De acordo com a denúncia, o grupo agia com clara divisão de tarefas. Bolton era o comandante da embarcação e foi o responsável por ter comunicado à Secretaria da Receita Federal a entrada no Brasil e, posteriormente, sua localização em Salvador. Além disso, ele assinou os contratos para estacionar o veleiro em uma marina e para a realização de reforma no barco.
Delbos, por sua vez, foi o responsável direto pela execução e fiscalização das reformas. Segundo testemunha, “ele era o responsável por negociar as questões relacionadas à embarcação em termos técnicos”; o que foi confirmado pelo próprio denunciado.
Já Saul, segundo o órgão, era o proprietário da embarcação, acompanhou toda a reforma e foi, possivelmente, a pessoa que armazenou a droga no veleiro, quando esteve no Espírito Santo, antes de sair do país. Ele atuou como líder do grupo, contratando tripulantes, efetuando pagamentos e se responsabilizando por tudo relacionado à estadia do veleiro no Brasil e sua viagem à Europa
Prisão preventiva
O MPF havia requerido a prisão preventiva dos três denunciados em dezembro do ano passado, quando teve seu pedido parcialmente deferido pela Justiça Federal, que determinou a prisão de Saul e de Delbos. Após extradição, Delbos foi encaminhado ao Brasil e está preso no presídio de Salvador. Saul está foragido, e, quanto a Bolton, o MPF aguarda informações da Interpol na Bahia sobre a qualificação e endereço do denunciado.
O processo judicial que apura a eventual participação no transporte da droga de três brasileiros e de um francês – funcionários contratados como tripulantes e que estavam presentes no momento da apreensão – está em curso em Cabo Verde e não foi objeto de análise pelo MPF.
O MPF informou que, agora, aguarda a análise da Justiça Federal sobre a denúncia e decida pelo seu recebimento para que seja instaurada a respectiva ação penal. Sendo instaurada a ação, os denunciados passarão a ser réus e caberá ao juiz designado dar seguimento ao processo, o que pode resultar na condenação e na aplicação de penas aos denunciados.

