Seu filho é tímido? Descubra o que fazer e o que não fazer
Nossos atos e palavras têm uma repercussão muito maior do que pensamos. E com isto podemos estimular ou colocar a criança para baixo

Crianças sadias e felizes são sempre falantes, brincalhonas, risonhas, por onde passam despertam a atenção de todos. Certo? Não, errado! É engraçado como a sociedade tem necessidade de padronizar tudo. Existem muitas formas de comportamentos infantis, diante de cada história de vida, um modo de se comportar diferente no mundo.
Muitas mães me perguntam o que fazer diante da timidez do filho ou filha e eu sempre pergunto: o que você chama de timidez? Porque é normal a criança ficar mais reservada ao chegar em lugares diferentes, mesmo com pessoas conhecidas. É um outro ambiente, ela ainda vai entender a dinâmica do lugar e o que ela pode ou não fazer no local e com as pessoas que estão ali.
É necessário entender o que é este se comportar de maneira tímida. E a situação vira um problema maior quando os pais consideram a timidez como uma preguiça, desatenção, algo que causa incômodo e ficam esperando que mude com o tempo. O fato é que quando um dos pais fala: “ Mas é tão tímido!”, gera um rótulo, uma marca nesta criança. E desta forma, mesmo muitos anos depois, a pessoa ainda pode sentir a força da etiqueta da timidez que se colou à pele dela para sempre.
Os pais devem ficar atentos com suas palavras, pois elas são poderosas. Quantas vezes, quando crianças, não achávamos que nossos pais tinham ouvidos e olhos além do alcance? Crianças colocam os pais no lugar da verdade, são os pais que sabem de tudo.
E a criança tem uma percepção aguçada, porque está ali sedenta de aprender e entender tudo o que se passa ao seu lado. Nossos atos e palavras têm uma repercussão muito maior do que pensamos. E com isto podemos estimular ou colocar nosso filho para baixo. Então, cuidado com o que diz e o que pensa sobre seus filhos.
Toda criança atravessa fases de retraimento
A criança tímida não consegue exprimir, ou exprime pouco, o que pensa e prefere se reservar por receio de não ter a aprovação dos outros. Há um desconforto e uma inibição em situações de interação pessoal. Ela fica mais quieta nas festas, prefere brincar sozinha, espera ser chamada para participar de qualquer brincadeira em grupo, mas nunca vai logo de primeira. A criança está sempre preocupada de maneira excessiva com as atitudes, percepções, reações e pensamentos de quem está ao seu lado.
É bom saber que toda criança atravessa fases de retraimento, faz parte do seu crescimento. Há fases em que ficam mais quietas e reservadas para com as outras pessoas. E o modo como a família vai lidar com a situação pode acentuar, ou não, esse comportamento.
Certamente, quanto menos se valoriza um comportamento que se acha inadequado à criança, mas este tende a desaparecer. Ao invés de toda vez reclamar, porque ela não falou com alguém, diga o quanto ela está bonita na festa e a incentive a conversar e brincar com as outras pessoas. Mas, olha, incentivar uma criança não é só mandar fazer, e sim você ir fazendo junto com ela.
Os pais, avós, babá, aquelas pessoas que têm mais contato com a criança que começa a apresentar sinais de timidez devem ajudar a criança a perceber como ela é cheia de possibilidades na vida. A timidez anda junto com a insegurança. A criança ou o adulto tímido tem dificuldade de perceber no que é bom, quais são suas paixões e como é importante. O reconhecimento de um lugar na família é essencial para o reestabelecimento da autoconfiança.
A timidez pode aparecer como forma de chamar a atenção dos pais. A chegada de um novo irmão, um ritmo diferente de trabalho dos pais, alguma mudança no olhar dos pais para a criança pode torná-la mais insegura. E se a timidez traz incômodo aos pais, faz com que, mesmo de uma maneira que traga sofrimento, ela sinta um razoável “conforto” em ter o olhar dos pais voltado para ela novamente, a timidez ganha espaço.
De todo o modo, se a timidez da criança estiver gerando dificuldades para ela e para os pais, eles devem procurar ajuda do psicólogo. E, então, fazer uma análise mais apurada e buscar uma orientação direcionada ao caso.
Priscila Almeida é psicóloga clínica especialista em saúde mental, psicanálise e em trânsito. Escritora e editora do Blog Papos de Psico.
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