Publicado em 20/12/2020 às 16h00.

Especialistas criticam obras realizadas no MAM-BA por ameaça a projeto original

Atual projeto do Museu de Arte Moderna da Bahia foi elaborado em 1963 pela arquiteta italiana Lina Bo Bardi

Redação
Foto: Pedro Moraes/ GOVBA
Foto: Pedro Moraes/ GOVBA

 

A reforma do restaurante e do atracadouro do Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA) tem sido alvo de críticas de especialistas na área de arquitetura, devido à ameaça ao projeto de restauração do imóvel, que data do século 17, elaborado por Lina Bo Bardi em 1963. As obras estão previstas para serem concluídas em maio de 2021.

À Folha de S.Paulo, Francesco Perrotta-Bosch, autor da biografia da arquiteta que deve ser lançada no próximo ano, afirmou que as intervenções descaracterizam o projeto da arquiteta. As mudanças são tanto físicas quanto em relação à ideia de museu e de instituição que Lina Bo Bardi tinha para o Solar do Unhão.

“Ela tinha um projeto cultural, mas ao mesmo tempo econômico, arquitetônico e de design extremamente singular, impressionante para aquele espaço, e ele vai totalmente contra a cultura do turismo e dos espetáculos”, avaliou.

As obras no MAM-BA são parte do Programa Nacional de Desenvolvimento do Turismo. A Secretaria de Turismo do Estado informou que, após as obras, as embarcações só poderão parar no novo atracadouro no embarque e desembarque no restaurante.

Para Nivaldo Andrade, ex-presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil, o píer que está sendo construído é muito mais agressivo, diferente do píer de madeira leve que existia. O arquiteto criticou também a climatização do espaço, resultado de intervenções anteriores. Segundo ele, Lina Bo Bardi pensou em um espaço aberto para a Baía de Todos-os-Santos.

Por meio da coordenação de comunicação, o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac) informou que até então não recebeu críticas sobre as abordagens da restauração. Ainda de acordo com a pasta, as obras foram anunciadas desde 2019 e seguem projeto analisado e aprovado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

O MAM-BA está fechado desde o início da pandemia. Quando em funcionado, recebe cerca de 200 mil visitantes por ano. Desde 2019 o equipamento cultural está sem direção.

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