Publicado em 21/10/2021 às 13h03.

Credores bancários aprovam plano de recuperação de mina no Amapá

O projeto deve custar US$ 200 milhões, e os estudos serão iniciados assim que os contratos forem assinados

Redação
Foto: Foto: Beadell Resources/Divulgação
Foto: Foto: Beadell Resources/Divulgação

 

A companhia Cadence Minerals, da Inglaterra, conseguiu aprovação de credores bancários para acordo de recuperação judicial da Mina Pedra Branca, em Pedra Branca do Amapari, no Amapá. A companhia, que é uma das sócias do projeto em conjunto com a Indo Sino, agora poderá iniciar os investimentos previstos para a viabilização da operação, de acordo com publicação do jornal Valor Econômico.

Washington Pimentel, diretor-executivo do Ayres Catelino Pimentel Advogados, que representa a Cadence e a Indo Sino no processo, disse ao Valor que depois da aprovação dos três bancos, Intesa San Paolo, Canada Bank e State Bank of Índia, a companhia iniciará os estudos de viabilidade de todo o projeto, inclusive da ferrovia, que hoje está sucateada.

Segundo ele, o projeto deve custar US$ 200 milhões, e os estudos serão iniciados assim que os contratos forem assinados. “O comitê de crédito de todos os bancos aprovou o plano e agora esperamos que, no máximo 60 dias, os contratos sejam assinados. Assim poderemos dar início ao cronograma do projeto”, disse Pimentel.

O advogado ressaltou que a maior dívida da companhia era com os bancos, cerca de US$ 150 milhões. Na estruturação do plano de recuperação judicial foi proposto que a Indo Sino, que era credora desse projeto, entrasse de sócia. Mas, segundo ele, o plano não foi adiante porque não “tinha essa negociação com os bancos”.

“A operação deve entrar em operação de 24 a 36 meses. Alguns estudos já se iniciaram em março, como aqueles mais relevantes de viabilidade, os de nível 2 e 3, que demandam revitalizar toda a ferrovia e o porto. A ferrovia já existe mas está sucateada.”

O projeto está localizado em área permitida na Amazônia do Estado do Amapá e despertou o interesse de Eike Batista, que em 2003 conseguiu todas as licenças ambientais para operar a mina. A primeira extração ocorreu em 2007. Em 2008, o complexo foi para as mãos da Anglo American, depois que a mineradora comprou as operações da MMX. Em 2013, no entanto, a Anglo saiu do negócio que foi comprado pela também inglesa Zamin Ferrous.

No fim daquele ano, ocorreu um acidente no terminal portuário que destruiu o pier de atracação e inviabilizou a operação da mina. Com isso, em 2014, a Zamin entrou com pedido de recuperação judicial.

Segundo a Cadence, o Projeto de Minério de Ferro do Amapá produzia 6,1 milhões de toneladas de minério de ferro por ano, e foi avaliada em US$ 660 milhões. A companhia atualizou a estimativa de recursos minerais em novembro de 2020, aumentando em 21%. A estimativa atual é de 176,7 milhões de toneladas. “Podemos produzir um minério com 65% de teor de ferro. Um produto premium”, disse Pimentel.

Hoje, a mina opera somente com a exportação dos estoques formados antes da sua parada. As vendas externas desse minério de ferro tinham um limite de receita de US$ 20 milhões e que foram realizadas em duas operações, uma em março e outra em agosto.

Os embarques de minério fazem parte do estoque de cerca de 1 milhão de toneladas que a DEV Mineração, sucedânea da Zamin, administra. Essa exportação, porém, atrasou dois anos, pois o estoque foi dado como garantia fiduciária.

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