Inflação e desemprego atingem níveis recordes no Brasil
Segundo economistas, apesar dos ajustes promovidos até o momento, cenário para 2016 é desalentador

A prévia da inflação oficial brasileira e a taxa de desemprego voltaram a atingir níveis recordes, desenhando um cenário complicado para a economia brasileira no próximo ano, embora as medidas de ajuste fiscal estejam no caminho certo para pavimentar um cenário de recuperação, acreditam economistas.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) acelerou a alta a 0,85% em novembro, e no acumulado em 12 meses chegou a dois dígitos, a 10,28%, nível mais alto em 12 anos, o que destaca a dificuldade do Banco Central de conter a alta dos preços mesmo com a economia em recessão.
O nível elevado de inflação vem se mantendo mesmo com a franca deterioração do emprego no país. Em outubro, a taxa de desemprego subiu a 7,9%, maior nível para o mês em oito anos, e a renda do trabalhador recuou. O aumento do desemprego se deu tanto pela maior procura de emprego como pelo fechamento de vagas.
A deterioração das contas públicas tem sido apontada como um dos principais fatores para manutenção da inflação em níveis elevados, apesar do aperto monetário promovido pelo Banco Central.
O setor público consolidado acumula déficit primário – gastos maiores do que as receitas, mesmo sem contar com o pagamento do serviço da dívida – de R$ 25,7 bilhões em 12 meses até setembro, equivalente a 0,45% do PIB. O governo prevê que o rombo neste ano do setor público ficará entre R$ 48,9 bilhões e R$ 117 bilhões.
“Tem que seguir cortando gastos e aumentando a arrecadação. Não tem muito o que fazer, e isso só mostra como o cenário é complicado”, destacou a economista-chefe da consultoria Tendências, Alessandra Ribeiro. Para ela, sem os ajustes o cenário poderia ser ainda pior, com inflação mais alta e maior aumento da taxa de juros.
Ajustes – O governo conseguiu nesta semana algumas vitórias importantes no Congresso, com a manutenção de vetos presidenciais a medidas que aumentariam os gastos públicos. Agora busca a aprovação do orçamento de 2016, principalmente da recriação da CPMF, contribuição sobre movimentação financeira, para garantir que as contas voltem a registrar superávit no próximo ano.
“O ajuste está sendo feito como é possível. Se não tem espaço no orçamento para cortar mais, tem que aumentar impostos no curto prazo. Não é o ajuste ideal, mas por enquanto é o que dá para fazer”, destacou o economista-chefe do banco ABC Brasil, Luis Otávio Leal.
Arrumar a situação fiscal é primordial para a retomada da confiança, pavimentando as bases para uma melhora econômica a partir do segundo semestre de 2016, acreditam economistas.
“É preciso parar com a deterioração da confiança. Colocar as contas fiscais em ordem ajudaria a debelar essa sensação de crise”, avaliou o superintendente do Departamento Econômico do Citi Brasil, Marcelo Kfoury.
Apesar da recessão e do desemprego, a política monetária vem encontrando limitações para conter o avanço dos preços, mesmo com a taxa básica de juros Selic a 14,25%, maior patamar desde 2006, diante de uma situação fiscal deteriorada, com o país registrando déficit primário.
O BC já reconheceu que não conseguirá trazer a inflação para o centro da meta – de 4,5% pelo IPCA, com margem de dois pontos para mais ou menos – no final de 2016, postergando o objetivo para o final de 2017.
“O BC não tem espaço para reduzir a taxa de juros por uma boa parte do (próximo) ano, e só vai fazer isso quando tiver mais clareza (sobre a inflação) para 2017”, destacou Alessandra, esperando uma queda da Selic somente em setembro do ano que vem.
Na próxima semana, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC se reúne novamente para decidir sobre a taxa básica de juros, e a expectativa é de que seja mantida.
Mais notícias
-
Economia16h12 de 03/06/2026
Tecnologia deve avançar com foco em sustentabilidade, diz especialista
Para Fernando Lira, o desenvolvimento tecnológico está diretamente ligado ao consumo de recursos como água
-
Economia12h33 de 01/06/2026
Declaração do Imposto de Renda pode deixar de ser obrigatória, diz governo
Ministério da Fazenda estuda criar sistema automático com dados de bancos e empresas para substituir o modelo atual.
-
Economia11h00 de 01/06/2026
Novo reajuste eleva preço do gás e pesa no bolso dos baianos
O aumento foi aplicado pela Acelen, empresa responsável pela Refinaria de Mataripe
-
Economia14h47 de 30/05/2026
Agricultura familiar recebe investimento de R$ 4,6 milhões
Investimento será focado na ampliação de renda e acesso à água no campo
-
Economia11h47 de 30/05/2026
Governo federal cria subsídio de R$ 0,35 por litro para o diesel
Mecanismo passará a valer no dia 1º de junho, com vigência estipulada para dois meses
-
Economia11h10 de 29/05/2026
‘O Master não passou aqui pela Bahia’, afirmou Jaques Wagner
O governador Jerônimo Rodrigues (PT) sancionou a troca de banco, que o BRB, para a tomada de um empréstimo de R$ 200 mi
-
Economia06h53 de 29/05/2026
Prazo para declarar Imposto de Renda termina hoje (29)
A Receita estima receber milhões de declarações neste último dia
-
Economia16h01 de 28/05/2026
Isabela Suarez diz que Bahia pode ser referência em sustentabilidade e desenvolvimento econômico
Presidente da ACB participou do III Congresso Baiano de Direito Imobiliário
-
Economia10h43 de 27/05/2026
IPCA-15: Inflação desacelera em Salvador, mas segue acima da média nacional
O avanço da inflação foi puxado, principalmente, pelo aumento dos preços dos alimentos e da energia elétrica
-
Economia18h40 de 24/05/2026
Pagamento da segunda parcela do 13º para aposentados e pensionistas começa nesta segunda
Segundo o governo federal, mais de 35 milhões de benefícios terão o abono pago de forma antecipada










