Saliva do mosquito pode aumentar severidade da dengue, diz estudo
Desenvolvido por cientistas da Bélgica e dos Estados Unidos, o trabalho foi publicado nesta quinta-feira na revista científica PLOS Pathogens

A saliva do mosquito Aedes aegypti pode ter um papel importante na gravidade da infecção por dengue, de acordo com um novo estudo feito por cientistas da Bélgica e dos Estados Unidos. Segundo o estudo, publicado nesta quinta-feira (16) na revista científica PLOS Pathogens, a presença da saliva do mosquito acelera o alastramento do vírus no corpo do paciente.
Ao inocular o vírus em camundongos, os cientistas descobriram que a presença da saliva do mosquito enfraqueceu os vasos sanguíneos, tornando-os mais permeáveis. Ao facilitar as trocas entre os vasos sanguíneos e outros tecidos do organismo, a saliva pode ajudar o vírus a se espalhar mais rapidamente, aumentando a severidade da doença, segundo os autores do estudo
“Moléculas presentes na saliva do mosquito podem modificar e modular o processo de infecção”, disse uma das autoras do estudo, a virologista Eva Harris, da Universidade da Califórnia em Berkeley (Estados Unidos). Segundo ela, a ação da saliva do mosquito já foi bem estudada em outras patologias virais, como a doença do Oeste do Nilo, mas ainda não havia sido investigada na dengue.
De acordo com Eva, o vírus da dengue infecta quase 400 milhões de pessoas anualmente em todo o mundo. Há quatro sorotipos do vírus. A versão severa da doença, que pode causar hemorragias, desenvolve-se especialmente em pacientes que têm uma infecção secundária – isto é, que são infectados pela segunda vez após já terem sido expostos a um dos outros três sorotipos.
Esse fenômeno, chamado de “amplificação dependente de anticorpo”, ocorre quando os anticorpos gerados pela primeira infecção aderem ao vírus de um novo sorotipo, mas não o destróem porque eles são ligeiramente diferentes. Em vez de atacar o vírus, os anticorpos “errados” acabam facilitando a infecção de células imunes.
O resultado é um aumento da carga viral nos pacientes, causando sintomas mais severos, incluindo a morte.

Experimento – No experimento, a equipe de cientistas inoculou o vírus com saliva – e também o vírus e a saliva isoladamente – em camundongos com infecção primária e secundária de dengue. Em infecções primárias, a severidade da doença não teve alterações e os sintomas foram leves. Mas, em infecções secundárias, a combinação do vírus e da saliva foi letal para mais da metade da população de camundongos. Sem a saliva, a mortalidade foi bem mais baixa, mesmo em infecções secundárias.
Os cientistas então fizeram um experimento para rastrear o alastramento do vírus no sistema circulatório. Na orelha de camundongos, uma molécula do tamanho do vírus da dengue se moveu mais rápido e chegou mais longe quando foi inoculada junto com a saliva do mosquito.
No laboratório, os cientistas usaram também células endoteliais humanas – que recobrem a parte interna dos vasos sanguíneos – e observaram que elas ficaram mais permeáveis com a presença da saliva do mosquito.
Alastramento – Os cientistas também descobriram que os camundongos inoculados apenas com o vírus, sem saliva, tinham a infecção eliminada quando a pele em torno do local da injeção era removida quatro horas depois da infecção. O mesmo procedimento não livrou da infecção os camundongos inoculados com vírus e saliva.
“Por causar danos à função de barreira das células endoteliais na pele, a saliva do mosquito pode aumentar o acesso do vírus a anticorpos amplificados no sangue, aumentando o alastramento dos complexos vírus-anticorpo da infecção, exacerbando-a em outros tecidos e tornando assim mais severa a doença”, disse Eva.
Segundo ela, a descoberta sugere que “a saliva do mosquito e a amplificação dependente de anticorpo precisam ser levados em conta no desenvolvimento de vacinas e drogas contra a dengue”. “Recomendamos que modelos animais para o estudo da dengue e para a validação de estudos pré-clínicos de candidatos a vacinas contra a doença sejam avaliados na presença combinada da saliva do mosquito e da amplificação dependente de anticorpo”, disse.
Mais notícias
-
Brasil21h08 de 01/01/2026
Brasil articula resposta a tarifas chinesas sobre a carne bovina
Estimativas apontam que a restrição pode gerar uma perda de até US$ 3 bilhões em receita
-
Brasil20h13 de 01/01/2026
Novo desconto na conta de luz entra em vigor para 4 milhões de famílias
Benefício é direcionado especificamente à famílias que atendam aos critérios estabelecidos pelo governo
-
Brasil19h45 de 01/01/2026
Em carta de ano novo, CNBB defende democracia, mas aponta ‘graves retrocessos’ no Brasil
Conferência expressou "grave preocupação" com retrocessos no campo da ética e cuidado com os pobres
-
Brasil18h23 de 01/01/2026
Novas regras de trânsito para ciclomotores entram em vigor nesta quinta; entenda
Novas exigências são validas para todo o Brasil
-
Brasil15h23 de 01/01/2026
Alistamento Militar de 2026 começa nesta quinta (1º)
O processo é obrigatório para jovens brasileiros do sexo masculino, até mesmo para quem reside no exterior
-
Brasil14h04 de 01/01/2026
VÍDEO: Turista é agredido com ‘voadora’ por barraqueiros em Balneário Camboriu
Segundo informações, o caso teria ocorrido após desentendimento por causa de uma conta acima do valor combinado
-
Brasil13h35 de 01/01/2026
Mega da Virada: Dois bolões acertam números e dividem prêmio bilionário
Saiba quanto cada apostador que ganhou o prêmio vai levar; Apostadores que acertaram a quadra e a quina também conquistam prêmio
-
Brasil11h00 de 01/01/2026
Após adiamento, Mega da Virada é sorteada; confira os números
Valor do prêmio será de R$ 1,09 bilhão
-
Brasil08h16 de 01/01/2026
Motorista é autuado sete vezes por dirigir ônibus batido e de capacete
Total de multas pode chegar a cerca de R$ 3 mil
-
Brasil23h24 de 31/12/2025
Após mais de 1 hora de atraso, Caixa adia sorteio da Mega da Virada para 2026
Prêmio gerou um volume de acessos sem precedentes, provocando instabilidades técnicas nos sistemas da instituição











