Publicado em 29/06/2016 às 00h20.

Aliados reclamam de falta de liderança de Rui em processo eleitoral

Vereadores, deputados, dirigentes e postulantes, inclusive do PT, apontam isolamento de governador como causa de atraso em definição de candidato a prefeito de Salvador

Evilasio Junior
Foto: Mateus Pereira/ GOVBA
Foto: Mateus Pereira/ GOVBA

 

Causa estranheza, insegurança e até mesmo indignação entre aliados a ausência do governador Rui Costa (PT) nas discussões sobre o processo eleitoral de Salvador. A insatisfação é generalizada e suprapartidária.

Sem gravador ligado ou autorização para publicação, são dezenas os políticos – a reportagem já ouviu reclamações de vereadores, deputados, dirigentes e até mesmo postulantes a prefeito – que se queixam da falta de liderança do chefe do Executivo baiano no debate sobre a escolha do (s) candidato (s) da base que irá (ão) enfrentar o atual gestor ACM Neto (DEM). A avaliação é de que, além de ter aprovação popular elevada e liderar as pesquisas de pré-campanha, o democrata tem a vida facilitada pela demora na definição dos seus opositores.

Mesmo petistas acusam o governador pelo fato de o segundo semestre ser iniciado sem que o cenário esteja sacramentado, fato cobrado por integrantes da legenda desde a Lavagem do Bonfim. Apontam que a exclusão de um nome do PT, os sucessivos adiamentos e a falta de afinamento de objetivos – como o número de aspirantes ao Palácio Thomé de Souza, se dois, se três, se quatro, bem como a estratégia das chapas proporcionais, se “blocão” ou coligações mais pulverizadas  – ocorrem pela negligência do maestro em conduzir a batuta.

O único ato eleitoral de Rui até aqui, apontam os parceiros, foi colocar o polêmico deputado estadual Pastor Sargento Isidório no PDT para concorrer ao pleito, o que constrangeu boa parte dos seus correligionários. Temem que o resultado do não protagonismo seja desastroso: além da possibilidade de derrota acachapante no primeiro turno, enfraquecimento na bancada de vereadores.

Um exemplo citado pelos apoiadores  como prova do “tô nem aí” de Rui é a sua extensa agenda esta semana pelo interior do estado. Enquanto os partidos da sua ala se digladiam para elencar os seus quadros e correm contra o tempo para apresentar uma alternativa competitiva até esta quinta-feira (30), Costa não só está fora como faz uma maratona por cidades bem distantes da capital: já passou por Araci, Euclides da Cunha e Monte Santo e ainda irá a Ipirá, Baixa Grande, Ribeira do Amparo e Banzaê. Volta apenas na sexta (1º), véspera da festa da Independência.

O alheamento, admitido por Rui Costa no discurso de que o martelo teria que ser batido pelos partidos sem o seu crivo, já foi alvo de críticas até do seu antecessor, Jaques Wagner, que chegou a se indispor com correntes da sua legenda, em 2014, para bancar a sua candidatura. Após a confirmação do senador – agora licenciado – Walter Pinheiro na Secretaria de Educação, o ex-ministro cutucou o pupilo por considerar “estranha” a nomeação de alguém recém-saído da sigla.

Há quem diga que a tática é apenas uma forma de se distanciar do desgaste sofrido pelo PT com os escândalos de corrupção no plano nacional e o impeachment da presidente Dilma Rousseff, já afastada de suas funções, para se proteger em 2018 – quando tentará a reeleição talvez contra o mesmo Neto – e efetivar a chamada “carreira solo”. Outra tese é de que a hipótese de iminente saída do PT, lançada meses atrás pelo site Bahia Notícias – à época considerada esdrúxula por pessoas próximas e posteriormente negada pelo governador – tem um quê de veracidade.

No 2 de Julho, Rui Costa inevitavelmente será o mestre-sala do seu grupo, mas talvez saia sem uma porta-bandeira. E mesmo que a comissão de frente apresente a senadora Lídice da Mata (PSB) ou a deputada Alice Portugal (PCdoB) como oponente de Neto, o estandarte estará rasurado por aquele de quem se esperava ser o protagonista do evento de outro dia 2 – o de outubro.

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