STF retoma julgamento sobre conteúdos ilegais na internet
Julgamento começou em 27 de novembro e já dura quatro sessões

O Supremo Tribunal Federal (STF) retoma nesta quarta-feira (11) o julgamento sobre a responsabilização das redes sociais pelos conteúdos ilegais postados pelos usuários.

O julgamento começou no dia 27 de novembro e já dura quatro sessões consecutivas. Até o momento, somente o ministro Dias Toffoli, relator de um dos processos, proferiu voto, que foi favorável à responsabilização das plataformas.
Na sessão de hoje, o ministro Luiz Fux, relator de outro processo que também trata do tema, vai proferir seu voto. Em seguida, mais nove ministros vão se manifestar.
O Supremo julga a constitucionalidade do artigo 19 do Marco Civil da Internet (Lei 12.965/2014), norma que estabeleceu os direitos e deveres para o uso da internet no Brasil.
De acordo com o artigo 19, “com o intuito de assegurar a liberdade de expressão e impedir a censura”, as plataformas só podem ser responsabilizadas pelas postagens de seus usuários se, após ordem judicial, não tomarem providências para retirar o conteúdo.
Responsabilização
O voto proferido pelo ministro Dias Toffoli considera inconstitucional o artigo 19, atual regra que rege a responsabilização civil das plataformas. Com o entendimento, as redes se tornam obrigadas a retirar o conteúdo ilegal de forma imediata, sem esperar por ordem judicial.
Se mantiverem as postagens, podem ser responsabilizadas pela Justiça por danos causados pela manutenção das mensagens de usuários. A possiblidade de punição também vale para o impulsionamento de postagens ilegais e no caso de criação de perfis falsos.
O ministro definiu como ilegais postagens que envolvem crimes contra o Estado Democrático de Direito, terrorismo, suicídio, racismo, violência contra mulher, crianças e adolescentes, infração sanitária, tráfico de pessoas, incitação de violência física e sexual, divulgação de fatos inverídicos e descontextualizados e divulgação de fatos notoriamente inverídicos que possam causar danos às eleições.
Nos primeiros dias do julgamento, representantes das redes sociais defenderam a manutenção da reponsabilidade somente após o descumprimento de decisão judicial, como ocorre atualmente. As redes sociais sustentaram que já fazem, de forma extrajudicial, a retirada de conteúdos ilegais que o eventual monitoramento prévio configuraria censura.
Entenda
O plenário do STF julga dois processos que discutem a constitucionalidade do artigo 19 do Marco Civil da Internet.
Na ação relatada pelo ministro Dias Toffoli, o tribunal julga a validade da regra que exige ordem judicial prévia para responsabilização dos provedores por atos ilícitos. O caso trata de um recurso do Facebook para derrubar decisão judicial que condenou a plataforma por danos morais pela criação de perfil falso de um usuário.
No processo relatado pelo ministro Luiz Fux, o STF discute se uma empresa que hospeda um site na internet deve fiscalizar conteúdos ofensivos e retirá-los do ar sem intervenção judicial. O recurso foi protocolado pelo Google.
Mais notícias
-
Justiça17h56 de 26/03/2026
Justiça nega liberdade a policial penal suspeito de feminicídio em Aracaju
Ele estava internado em Sergipe após tentar contra a própria vida
-
Justiça09h06 de 25/03/2026
Caso Sara Freitas: julgamento chega à reta final e júri deve tomar decisão nesta quarta (25)
Defesa e acusação apresentam teses conflitantes em júri popular em Dias D’Ávila
-
Justiça21h20 de 24/03/2026
Caso Sara Freitas: julgamento dos três acusados deve avançar pela madrugada de quarta-feira
Réus respondem por uma série de crimes graves, como feminicídio, ocultação de cadáver e associação criminosa
-
Justiça12h30 de 22/03/2026
Moraes completa nove anos no STF com protagonismo em investigações e críticas à atuação
Ele foi indicado em 2017 pelo então presidente Michel Temer (MDB)
-
Justiça11h30 de 21/03/2026
TCM investiga denúncia sobre a Companhia das Docas de Candeias
De acordo com a denúncia, há indícios de desorganização interna e falhas na estrutura da companhia
-
Justiça20h20 de 20/03/2026
TJBA reforça importância de denúncias contra estupro de vulnerável
Iniciativa busca conscientizar a sociedade de que a proteção integral da infância é um dever coletivo
-
Justiça19h35 de 20/03/2026
Justiça adota ECA Digital e reforça proteção a crianças online
Entre as medidas, estão a exigência de respostas rápidas a casos de crimes como aliciamento, assédio e exploração sexual
-
Justiça18h02 de 20/03/2026
Desconfiança no STF dispara e atinge 60% dos brasileiros; veja números
A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos
-
Justiça17h13 de 18/03/2026
Mulher que planejou sequestro de mulheres recebeu R$ 10 mil das vítimas via Pix
Investigações apontam que o crime foi minuciosamente planejado
-
Justiça19h25 de 17/03/2026
Desembargadores destacam impacto social de campanha do TJ-BA
A campanha Imposto do Bem busca transformar a obrigatoriedade fiscal em gesto de cidadania










