‘Destemperado’: Veja repercussão internacional do tarifaço de Trump sobre o Brasil

    Tom da carta enviada ao presidente Lula também ganhou destaque e gerou críticas dos principais veículos de comunicação

    Foto: Divulgação

    A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de taxar em 50% os produtos brasileiros repercutiu negativamente na imprensa internacional, com veículos classificando a medida como “destemperada”, dramática” e até “extraordinária”, com destaque para a carta enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ação considerada inédita e incomum ao ‘modus operandi’ do líder americano.

    O jornal americano The New York Times considerou o uso de tarifas por Trump na tentativa de intervir em um julgamento criminal no exterior como “extraordinário”, apontando que o presidente trata impostos de importação como “porretes que servem para todos”.

    Já a emissora CNBC descreveu a carta como uma “ofensiva sem precedentes” por misturar política interna de outro país com medidas econômicas americanas. “É uma carta muito mais direcionada do que as outras, uma punição explícita por decisões que desagradam a Trump”, escreveu o canal.

    O jornal britânico The Guardian, por sua vez, descreveu o tom da carta enviada por Trump como “destemperado”, destacando que a medida destoa completamente dos textos padronizados enviados a outros países, em que apenas se ajustavam nomes e taxas. O veículo também comparou o julgamento de Bolsonaro aos eventos que culminaram na invasão do Capitólio em 2021, reforçando os paralelos entre a crise política no Brasil e os episódios mais graves da era Trump nos EUA.

    Já a rede BBC, também britânica, repercutiu a escalada como uma “ameaça direta” ao Brasil, apontando a discrepancia entre a atual taxa de 50% com a tarifa inicial de 10% aplicada anteriormente.

    Mundo econômico

    Referência no mercado financeiro americano, a Bloomberg descreveu a medida de Trump como uma “dramática intensificação” da ofensiva política do republicano contra governos progressistas, com foco especial nas críticas às políticas de Lula.

    O Financial Times também repercutiu a medida, relatando que Trump acusou o Brasil de tratar “injustamente” o ex-presidente Jair Bolsonaro e anunciou a tarifa como forma de retaliação.

    Por fim, o economista americano e vencedor do Prêmio Nobel de Economia, Paul Krugman, classificou a ação como megalomaníaca e maligna”, afirmou que a medida trata de um “programa de proteção a ditadores” e disse que, em uma democracia funcional, a medida por si só seria motivo suficiente para impeachment.