Publicado em 29/08/2025 às 14h04.

Vereador ameaça dar voz de prisão a ‘Chavoso da USP’ durante CPI

O paulista Rubinho Nunes exigiu que ativista apontasse nomes ligados ao crime organizado

Redação
Foto: Reprodução/ TV Câmara SP

 

O vereador Rubinho Nunes (União Brasil) ameaçou dar voz de prisão ao ativista Thiago Torres, conhecido como “Chavoso da USP”, durante depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Pancadões, na Câmara Municipal de São Paulo. A comissão investiga supostas ligações do crime organizado com bailes funk realizados nas periferias da capital paulista.

Torres, que foi ouvido como testemunha, respondeu a uma pergunta de Nunes afirmando que “o crime ocorre em todo lugar, inclusive dentro dessa Casa”. A declaração provocou reação imediata do presidente da CPI e da vereadora Cris Monteiro (Novo), que passaram a exigir que ele indicasse quais parlamentares teriam relação com grupos criminosos.

“O senhor afirmou categoricamente. Quem é o vereador ligado ao crime organizado? Se não responder, vou adotar as medidas legais”, disse Rubinho Nunes, acrescentando que, se Torres negasse a fala registrada na transmissão da sessão, “sairia preso”.

As vereadoras Keit Lima e Amanda Paschoal (PSOL) defenderam o ativista, acusando os demais membros da CPI de distorcerem suas declarações. Um dos advogados de Torres questionou a ameaça de prisão: “Presidente, o senhor falou que vai dar voz de prisão. Fundamente isso. O senhor está cometendo abuso de autoridade. Está focado em fazer corte”, afirmou.

Nunes então determinou que a assessoria técnica da Câmara recortasse o trecho da declaração para enviar ao Ministério Público de São Paulo (MPSP), solicitando apuração por falso testemunho.

Além de Torres, a sessão desta quinta-feira também ouviu Henrique Alexandre Barros Viana, o “Rato”, da produtora Love Funk.

CPI dos Pancadões

A CPI tem intimado funkeiros, produtores, influenciadores e youtubers para depor. Na última semana, Bia Miranda e Gato Preto foram chamados a prestar esclarecimentos. O vereador Rubinho Nunes argumenta que os “pancadões” são promovidos principalmente nas redes sociais, e que artistas e influenciadores podem estar associados a organizações criminosas.

Outros nomes intimados incluem o funkeiro MC Ryan SP, a cantora MC Dricka, Salvador da Rima, Raul Nunes (fundador do coletivo Clube da DZ7), Giliard Santos (filho de Deolane Bezerra), Danielzinho do Grau e responsáveis pelas páginas Fluxos Records e Ritmo dos Fluxo.

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