Publicado em 11/11/2025 às 15h20.

PL Antifacção: Após mudanças de Derrite, Motta e Lewandowski se reúnem na Câmara

Confira as principais alterações feitas pelo relator do caso, o deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP)

Neison Cerqueira
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

 

As mudanças feitas pelo deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP) no relatório da PL Antifacção desagradaram ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Diante do impasse, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, se reúnem a portas fechadas nesta terça-feira (11) para tentar alinhar a posição entre Legislativo e Executivo.

As alterações promovidas por Derrite foram consideradas uma ruptura em relação ao texto original enviado pelo governo, especialmente por afetarem atribuições da Polícia Federal (PF). A corporação reagiu publicamente e repudiou os ajustes.

Se houver acordo no encontro entre Motta e Lewandowski, a proposta deve ser colocada em votação já nesta quarta-feira (12).

Principais mudanças feitas por Derrite

Classificação dos crimes

O governo propôs enquadrar o controle territorial ou econômico como agravante na Lei de Organizações Criminosas e tornar o crime de integrar facção hediondo.

Derrite, no entanto, optou por modificar a Lei de Terrorismo, criando 11 novas condutas que equiparam facções armadas a grupos terroristas, incluindo uso de violência para domínio territorial, bloqueio de circulação e uso de armas e explosivos.

Penas

A proposta do Executivo elevava a pena para participação em organização criminosa de 3 a 8 anos para 5 a 10 anos. Para casos envolvendo domínio territorial com violência, a pena iria de 8 a 15 anos. Derrite endureceu significativamente: o substitutivo prevê penas de 20 a 40 anos, comparáveis às do feminicídio.

Competência de investigações

O ponto mais sensível envolve o papel da Polícia Federal. O texto de Derrite condiciona a atuação da PF a solicitações de delegados das Polícias Civis ou do Ministério Público estadual, sustentando que sua competência é apenas cooperativa.

Mesmo quando atuar, os processos não migrariam automaticamente para a Justiça Federal, o que contraria o modelo desejado pelo governo.

Perdimento de bens

O relator propõe criar um mecanismo autônomo de ação civil para confisco de bens de facções. O texto do governo apenas prevê que o juiz possa determinar o perdimento no processo criminal.

Crimes sem vínculo formal com organização

Derrite cria uma figura penal independente para quem pratica condutas consideradas terroristas, mesmo sem prova de vínculo com facção. A justificativa é a dificuldade de comprovar pertencimento formal.

Banco de dados

Enquanto o governo quer um Banco Nacional de Facções Criminosas, Derrite defende bancos estaduais interoperáveis com o sistema federal, além de prever inelegibilidade automática para quem constar nesses cadastros – alterando a Lei da Ficha Limpa.

Progressão de regime e penas privilegiadas

O Executivo propôs uma modalidade privilegiada para réus primários e sem liderança, com redução de pena. Derrite remove a previsão e endurece a progressão: 70% da pena para réu primário e 85% para reincidente, além de vedar a saída condicional.

Auxílio-reclusão

O relator também incluiu a proibição do pagamento do auxílio-reclusão a dependentes de condenados pelos crimes previstos no texto.

Neison Cerqueira
Jornalista, com atuação na área de política e apaixonado por futebol. Foi coordenador de conteúdo do site Radar da Bahia, repórter do portal Primeiro Segundo e colunista em ambos os veículos. Atuou como repórter na Superintendência de Comunicação da Prefeitura Municipal de Lauro de Freitas e, atualmente, cobre política no portal bahia.ba.

Mais notícias

Este site armazena cookies para coletar informações e melhorar sua experiência de navegação. Settings ou consulte nossa política.