Jornalista com experiência na área cultural, com passagem pelo Caderno 2+ do jornal A Tarde. Atuou como assessor de imprensa na Viva Comunicação Interativa, produzindo conteúdo para Luiz Caldas e Ilê Aiyê, e também na Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Salvador. Foi repórter no portal Bahia Econômica e, atualmente, cobre Cultura e Cidade no portal bahia.ba.
DRT: 7543/BA
Publicado em 15/11/2025 às 19h21.
Funcionária de loja em Salvador denuncia racismo da chefe; veja relato
Trabalhadora afirma ter sido alvo de tratamento discriminatório durante o expediente
João Lucas Dantas

Uma ex-funcionária da loja Track&Field, da unidade Salvador Shopping, afirma ter sido vítima de um episódio de racismo por parte da gerente responsável pelo local, na capital baiana. A pessoa, que preferiu não ser identificada na reportagem para preservar sua segurança, relatou ao bahia.ba o ocorrido.
Segundo a ex-funcionária, que havia sido contratada inicialmente para o trabalho temporário do período natalino, com duração de 60 dias, quando as operações do comércio são ampliadas, e posteriormente teve o contrato estendido, a ofensa ocorreu em público, durante um treinamento conduzido pela gerente com duas novas funcionárias, em fevereiro deste ano.
“Eu já tinha presenciado comportamentos e interferências desconexas e desconfortáveis dela com outros colegas. Comigo nunca tinha acontecido, principalmente um caso de racismo”, contextualizou a pessoa em questão.
Ela contou que, no dia do episódio, estava na mesa de atendimento, na entrada da loja, aguardando clientes, ao lado de uma colega branca. “Eu estava ali de prontidão para exercer plenamente meu ofício de vendedora”, acrescentou.
Ambas decidiram acompanhar o treinamento, com a intenção de absorver mais informações sobre o trabalho. Foi quando a gerente apresentou uma peça do tipo macaquinho (uma roupa curta de academia) e explicou às novas funcionárias que elas não encontrariam aquele item no estoque com esse nome.
“Aqui na Track&Field a gente vende como jump longo e jump curto. Até porque macaquinho é um bicho pequenininho e parece ela”, disse, apontando para a ex-funcionária. As treinandas riram e debocharam. “Eu só consegui responder: ‘Não entendi’”, relembrou a pessoa alvo do comentário.
Ao perceber o desconforto, a gerente tentou amenizar a situação, afirmando que havia se referido ao “netinho” de uma outra colega presente.
Depois disso, a trabalhadora continuou o expediente, mas só parou para refletir sobre a gravidade do ocorrido no dia seguinte, quando a colega que estava ao seu lado a procurou. “Ela disse: ‘Amiga, não consegui falar com você ontem. Eu só parei para pensar agora no que aconteceu. Como você está?’”, relatou.
“Foi nesse momento que eu parei para analisar e entendi que, de fato, tinha sofrido um episódio de racismo. Eu fui chamada de ‘macaca’, porque em nenhum momento ela apontou para as outras colegas brancas. Ela apontou para mim, a única mulher negra naquele momento”, afirmou.
A partir daí, a ex-funcionária decidiu buscar apoio. Ela foi orientada a procurar a Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi) e também registrou boletim de ocorrência na Delegacia de Combate ao Racismo (Decri), além de iniciar acompanhamento jurídico.
Nos dias seguintes, ela relata que pediu à gerente que não voltasse a se referir a ela como “macaquinha”. A gerente teria respondido: “Ah, eu te apontei como macaca? Não foi pela sua cor. Foi por causa do seu tamanho, porque você é pequenininha. Tanto que eu apontei o netinho de Fulana também.” Em seguida, afirmou: “Isso não foi racismo.”
“Então eu respondi: ‘Eu não falei de racismo em momento nenhum. Você que está trazendo essa pauta. Então você reconhece que essa foi uma fala racista sua’”, rebateu.
Após solicitar uma declaração da Sepromi para justificar atrasos decorrentes dos atendimentos de acolhimento, a gerente teria percebido que havia um B.O. registrado contra ela.
“No primeiro momento, eu fiquei em inércia, porque não tinha entendido o que tinha acontecido. Só consegui refletir no segundo dia. Tanto na Decri quanto na Sepromi, eu precisei repetir a história e não conseguia sem chorar. Eu nunca imaginei que, em pleno 2025, estaria sendo chamada de macaca”, lamentou.
A ex-funcionária permaneceu na empresa até poucos dias antes do encerramento previsto do contrato, quando a empresa decidiu finalizá-lo dois dias antes. Segundo ela, na reta final, o ambiente se tornou “insustentável”.
“Apenas poucos dias antes de o contrato acabar, a gerente passou a me maltratar, me intimidava, me retraía, tinha comportamentos completamente diferentes dos que tinha com qualquer outra pessoa. Só comigo. E eu estava ali plenamente para exercer meu trabalho, meu ofício de vendedora. Apenas isso. Em nenhum momento eu estava ali para brincar com ninguém”, concluiu.
A trabalhadora buscou a Justiça do Trabalho porque o ocorrido decorre de um vínculo empregatício. O Tribunal Regional do Trabalho da Bahia (TRT-BA) reconheceu o dano moral e condenou a empregadora ao pagamento de indenização, decorrente de um ato discriminatório de cunho racial.
No entanto, como racismo é crime, a competência para analisar e julgar a responsabilidade penal é da Justiça Comum, que ainda deverá chegar a um resultado.
Nota da Track&Field à imprensa:
“Como uma marca que busca promover o bem-estar das pessoas, a Track&Field é veementemente contra qualquer tipo de discriminação e informa que abriu uma sindicância interna para apurar o caso tão logo tomou conhecimento.
Todas as medidas cabíveis foram tomadas, incluindo a oferta de apoio psicológico aos envolvidos.
Reforçamos ainda que existe um canal interno anônimo para recebermos denúncias, reclamações e sugestões, a fim de manter um ambiente seguro e saudável para todos que frequentam nossas lojas, e realizamos treinamentos contínuos para nossos funcionários sobre diversidade, inclusão e prevenção de assédio e violências no trabalho.”
Mais notícias
-
Salvador07h55 de 10/03/2026
Prefeitura executa regularização fundiária na comunidade Bate Coração, em Paripe
Entrega de títulos de propriedade para moradores vai até sexta (13)
-
Salvador20h40 de 09/03/2026
MPBA ajuíza ação contra Hospital São Rafael por irregularidades sanitárias
Investigação teve origem em denúncias sobre problemas estruturais críticos no Banco de Sangue da instituição
-
Salvador18h59 de 09/03/2026
Ação do Metrô Bahia celebra autoestima feminina na Estação Acesso Norte
Um espelho temático, acompanhado de mensagens de empoderamento, foi instalado no loca
-
Salvador18h44 de 09/03/2026
Prefeitura de Salvador certifica 500 jovens em programa de aprendizagem
Seis deles foram selecionados para participar de um intercâmbio em São Paulo
-
Salvador18h12 de 09/03/2026
Candidato é preso por fraude em prova de residência médica em Salvador
Homem foi encaminhado para a Central de Flagrantes
-
Salvador17h37 de 09/03/2026
SIMM: Confira as vagas de emprego para esta terça-feira (10)
No momento do agendamento, é possível escolher entre as modalidades presencial ou via WhatsApp
-
Salvador17h26 de 09/03/2026
Homem é encontrado morto na praia da Boca do Rio
As circunstâncias da morte serão investigadas pela Polícia Civil
-
Salvador15h10 de 09/03/2026
Semana deve ter sol entre nuvens e pancadas de chuva em Salvador; confira a previsão
A semana começa com tempo abafado e possibilidade de chuva na capital baiana
-
Salvador14h33 de 09/03/2026
Corpo é encontrado dentro de carrinho de compras na Calçada
A identidade da vítima e a autoria e motivação do crime são desconhecidas.
-
Salvador09h53 de 09/03/2026
Advogada é sequestrada durante tentativa de assalto em Salvador
Ela passou horas presa dentro do carro com sequestradores que levaram apenas seu celular e carteira










