O projeto de lei que propõe o ordenamento de eventos realizados na orla da Barra e Ondina, incluindo o Porto da Barra, pode ser votado ainda este ano. A proposição é de autoria do vereador do PP, Maurício Trindade.
A informação foi confirmada a jornalistas, durante a sessão desta terça-feira (25) na Câmara Municipal de Salvador (CMS), pelo relator da proposta, vereador Duda Sanches (União Brasil).
“Temos um tempo diminuído; as votações serão até o dia 17 de dezembro. Temos menos de um mês, mas o debate necessário vai ocorrer”, afirmou. Segundo ele, embora a regulamentação em discussão se concentre na Barra, isso não impede alternativas como benefícios fiscais para atrair eventos à região do Comércio.
O vereador citou projetos da prefeitura para as áreas do Comércio e do Centro Histórico. “A gente vai levar essa ideia, de poder utilizar essa área com exceções e atrair naturalmente as pessoas que não terão espaço na Barra para executar suas atividades”, explicou.
Sanches classificou o PL como “um problema bom para resolver”. Ele justificou que, com a cidade movimentada e cheia de eventos, cresce a preocupação com o bem-estar da população e o uso do principal ponto turístico da capital para manifestações e apresentações musicais.
“Hoje a gente precisa se debruçar sobre esse assunto. Os moradores da Barra, de fato, percebem um grande crescimento da quantidade de eventos, mas a gente não pode de maneira alguma excluir esse grande movimento, principalmente ligado à saúde e à cultura, como corridas e eventos culturais”, argumentou.
O vereador garantiu que todos os envolvidos serão incluídos no debate. “Informei ao autor do projeto, meu colega Maurício Trindade (PP), que pediria mais um tempo para apresentar o parecer, de modo que possamos debater melhor e buscar uma solução que não seja simplesmente acabar com os eventos na Barra”, disse.
Ele afirmou que já existem propostas e emendas, mas ainda em fase inicial. “O assunto é muito sério. Salvador será a primeira capital a tomar uma medida efetiva sobre isso. Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte… nenhuma grande capital tomou uma iniciativa assim”, destacou.
Sanches disse que todos os setores estão sendo ouvidos e que o objetivo é encontrar o equilíbrio. “Nem a vida dos moradores pode continuar do jeito que está, nem podemos simplesmente proibir eventos em uma região tão importante para o turismo e para a economia da cidade.”
O relator afirmou que não há cronograma nem prazo definido para a votação, mas garantiu que não pretende adiar o trâmite de modo a “desestimular” a proposta.
Segundo ele, quem já tem eventos programados pode ficar tranquilo, pois serão mantidos. “O verão está chegando e a tendência é que muitos eventos aconteçam, mas precisamos nos posicionar para que, no futuro próximo, encontremos um meio-termo.”
“O direito ao sossego precisa ser respeitado, mas os eventos também devem continuar, porque aquela é a arena ideal para isso. O que buscamos é consenso: que cada lado ceda um pouco para que todos saiam ganhando”, concluiu Sanches.

