Publicado em 29/11/2025 às 09h34.

Deputado baiano Dal Barreto é citado em anotações da Refit, investigada pela PF

PF apura motivo de menção ao parlamentar em escritório de refinaria; ele nega conhecer a empresa

Raquel Franco
Foto: Arquivo pessoal/Reprodução

 

O nome do deputado federal Dal Barreto (União Brasil-BA) foi encontrado nas anotações em uma das janelas do escritório da Refit, no Rio de Janeiro, uma das maiores devedoras de tributos da União e dos estados. A informação, obtida pelo Blog do Octavio Guedes no g1 faz parte de uma imagem apreendida pela Polícia Federal (PF) durante a Operação Poço de Lobato.

A PF ainda investiga o motivo da menção ao parlamentar. A suspeita preliminar dos investigadores é que Barreto, que é dono de um posto de combustível na Bahia, poderia estar sendo visto como um concorrente comercial pelo grupo Refit, cujo proprietário, Ricardo Magro, tentava ingressar no mesmo mercado.

As anotações nas janelas de vidro do escritório incluíam listas de pessoas, empresas e operações, além de referências a “mapeamento do Judiciário”, “Procuradorias estaduais”, “ministério” e “portos”, indicando um levantamento interno da refinaria sobre diversos setores.

O que diz Dal Barreto

O parlamentar nega veementemente qualquer envolvimento com a Refit ou seus integrantes. Ao ser questionado sobre a menção de seu nome, Barreto declarou ao g1 que não conhece ninguém envolvido com a Refit e nunca fez negócios com a empresa.

“Eu só compro combustível nas distribuidoras, quase sempre na Shell, porque tenho um contrato com a Shell. Não sei por que meu nome estava lá,” afirmou o deputado. Barreto levanta a hipótese de que a empresa possa ter tido a intenção de contatá-lo para algum tipo de negociação, mas reitera que nunca teve contato pessoal com ninguém da Refit, nem com seu dono, Ricardo Magro.

Operação Overclean

Embora não tenha sido alvo da Operação Poço de Lobato, o deputado Dal Barreto é investigado em outra frente pela PF. Ele foi alvo da sexta fase da Operação Overclean na Bahia, que apura uma organização criminosa suspeita de fraudes licitatórias, desvio de recursos públicos, corrupção e lavagem de dinheiro.

Na ação, a PF apreendeu o celular do deputado no Aeroporto Internacional de Salvador, além de cumprir mandados em uma casa de luxo e em um posto de combustíveis ligados a ele em Amargosa, sua cidade natal. Veículos de luxo também foram apreendidos.

O deputado nega qualquer envolvimento com o esquema da Overclean e afirma estar à disposição para prestar esclarecimentos sobre o inquérito.

Raquel Franco
Natural de Brasília, formou-se em produção em comunicação e cultura e em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Também é fotógrafa formada pelo Labfoto. Foi trainee de jornalismo ambiental na Folha de S.Paulo.

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