Jornalista com experiência na área cultural, com passagem pelo Caderno 2+ do jornal A Tarde. Atuou como assessor de imprensa na Viva Comunicação Interativa, produzindo conteúdo para Luiz Caldas e Ilê Aiyê, e também na Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Salvador. Foi repórter no portal Bahia Econômica e, atualmente, cobre Cultura e Cidade no portal bahia.ba.
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Publicado em 13/12/2025 às 10h40.
Benoit Blanc desafia os mistérios da fé em ‘Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out’
No novo filme da série Entre Facas e Segredos, o detetive de Daniel Craig retorna cheio de humor no capítulo mais intrigante da trilogia
João Lucas Dantas

Foto: John Wilson/ Netflix
O melhor detetive do mundo (dos anos 2020) está de volta para desvendar mais um misterioso assassinato. Benoit Blanc, personagem já icônico de Daniel Craig (ex-James Bond), desafia os mistérios da fé no terceiro filme da série Entre Facas e Segredos, Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out (Wake Up Dead Man, no original), que já está disponível na Netflix.
Criado, roteirizado e dirigido por Rian Johnson (Star Wars – Os Últimos Jedi), é mais um exemplo divertidíssimo de um “quem matou?” executado com maestria. Com um elenco estelar, o filme segue o mesmo formato dos dois antecessores, que, por sua vez, já se aproveitaram dos tropos muito bem estabelecidos nas obras literárias de Agatha Christie, com seu Hercule Poirot, ou de Arthur Conan Doyle, com Sherlock Holmes.
Quem nunca viu os outros dois não precisa se preocupar. Cada história funciona de forma muito independente, sem necessidade de lição de casa. Em Entre Facas e Segredos (2019), Blanc resolve um caso envolvendo uma morte em um casarão de uma família muito rica; já o segundo, Glass Onion: Um Mistério Knives Out, leva o detetive até uma ilha particular para solucionar um novo mistério; e neste, a trama gira em torno da morte de um padre em uma pequena igreja no interior de Nova Iorque.
Em Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out, o detetive Benoit Blanc retorna para investigar o caso mais desafiador de sua carreira quando um padre é morto de forma aparentemente impossível durante um sermão em uma pequena cidade; ao lado da chefe de polícia local e de um jovem sacerdote que se torna suspeito, ele precisa desvendar uma teia de segredos e pistas ilógicas para descobrir quem está por trás desse crime complexo e chocante.

Foto: John Wilson/ Netflix
Blanc, Benoit Blanc.
A novidade do terceiro capítulo é a ousada decisão do diretor e roteirista de colocar o personagem de Daniel Craig como coadjuvante da história. O verdadeiro protagonista aqui é o padre assistente Jud Duplenticy, vivido brilhantemente por Josh O’Connor (Rivais), um jovem ator britânico que vem se destacando cada vez mais em importantes papéis no cinema. Fiquem de olho em sua filmografia.
É ousada, porém acertada. Craig é um ator generoso em cena que, desde o seu tempo como 007, parece nunca ter feito questão de dominar a tela por inteiro, sempre dando espaço para os colegas, e aqui não é diferente. Pelo contrário, isso dá uma nova dinâmica ao filme, que abraça o inesperado por meio de pitadas de teor impossível, desafiando os mistérios da fé católica.
No elenco repleto de grandes nomes, destacam-se ainda a vítima do crime, o padre charlatão Monsenhor Jefferson Wicks, em mais um grande papel de Josh Brolin (Vingadores – Guerra Infinita), que vive um grande ano, com participações também no ótimo A Hora do Mal e no fraco O Sobrevivente.
A partir daí, surgem diversos clichês clássicos de personagens de histórias de assassinato. Entre os suspeitos estão a administradora da igreja, vivida pela sempre excelente Glenn Close (101 Dálmatas); Andrew Scott (Fleabag), como um escritor falido; Kerry Washington (Scandal), como a falsa boa-samaritana; Cailee Spaeny (Alien: Romulus), como uma mulher rica e solitária; Daryl McCormack (Twisters), como o reacionário do grupo; o médico trambiqueiro vivido por Jeremy Renner (Vingadores); e Thomas Haden Church (Homem-Aranha 3), como o faz-tudo da igreja.
O grande trunfo de Johnson como figura criativa da série é sempre saber renovar as situações e personagens de um filme para o outro, discutindo questões atuais e diretamente relacionadas ao tempo em que cada história se passa. Neste, entram em debate temas como líderes religiosos que se aproveitam financeiramente de seus fiéis, a política reacionária que tomou conta do mundo, entre outros assuntos.

Foto: John Wilson/ Netflix
Hilariante e intrigante
Vivo ou Morto talvez seja o mais engraçado entre os três filmes, o que é inesperado, já que os materiais publicitários vinham vendendo o longa como o mais sombrio até o momento, o que também não deixa de ser. Sem dúvidas, é o mais visualmente bonito e marcante.
A direção de fotografia de Steve Yedlin se aproveita muito bem das luzes dos vitrais de uma igreja gótica, utilizando de forma intrigante o vermelho, o azul e a luz do sol que atravessa as janelas do local, capazes tanto de iluminar quanto de desaparecer do ambiente quando o assunto fica mais sério, casando com o tom do roteiro e criando belas composições visuais.
Craig aqui está mais à vontade do que nunca como Blanc. Afiado nas respostas, provocador e sem medo de beirar o ridículo em muitos momentos. As piadas são bem encaixadas e os alívios cômicos funcionam muito bem, permitindo que o espectador respire durante os momentos de tensão, em uma dinâmica hilariante entre Josh O’Connor e Glenn Close.
Com um núcleo de personagens mais enxuto, há tempo para desenvolver bem as motivações e interesses de cada um em relação à igreja e ao assassinato do padre, que poderia ter sido cometido por qualquer um da lista de suspeitos.
O desenrolar do mistério em nenhum momento se torna previsível. O filme funciona como um bom truque de mágica, onde somos o tempo todo guiados a acreditar em pistas erradas, enquanto o óbvio acontece bem debaixo dos nossos narizes, sem jamais entregar o ouro até o grande momento da revelação final.
Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out é um tipo de filme raro de se ver hoje em dia. Roteiros originais, elencos grandiosos e histórias voltadas a resolver simples mistérios de assassinato, sob o comando de mais um grande detetive para o imaginário da cultura pop mundial. Com três filmes no currículo, é possível afirmar que o Benoit Blanc de Daniel Craig foi uma excelente forma de escapar da sombra de James Bond em sua filmografia.
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