Jornalista com experiência na área cultural, com passagem pelo Caderno 2+ do jornal A Tarde. Atuou como assessor de imprensa na Viva Comunicação Interativa, produzindo conteúdo para Luiz Caldas e Ilê Aiyê, e também na Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Salvador. Foi repórter no portal Bahia Econômica e, atualmente, cobre Cultura e Cidade no portal bahia.ba.
DRT: 7543/BA
Publicado em 08/01/2026 às 16h21.
Maestro Carlos Prazeres defende a Osbrega e critica elitismo cultural
O bahia.ba acompanhou, nesta quinta-feira (8), o ensaio geral do Concerto do Amor, que acontece na Concha Acústica
João Lucas Dantas

Foto: João Lucas Dantas/ bahia.ba
O bahia.ba acompanhou, nesta quinta-feira (8), o ensaio geral para a terceira edição do Osbrega – O Concerto do Amor, da Orquestra Sinfônica da Bahia (OSBA), e realizou uma entrevista com o maestro Carlos Prazeres, que falou um pouco mais sobre a importância da música popular no Brasil e de poder aproximar o público baiano da música erudita.
O concerto, dedicado a clássicos da música romântica brasileira em versões sinfônicas, acontece nesta sexta-feira (9), às 19h, na Concha Acústica do Teatro Castro Alves. Os últimos ingressos estão disponíveis pela plataforma Sympla neste link. O espetáculo também será transmitido ao vivo pelo canal do YouTube da OSBA.
Tendo dado largada aos conceitos temáticos lá em 2012, com o primeiro Cine Concerto, que reuniu trilhas sonoras famosas de filmes, a orquestra, nos dias de hoje, faz shows de São João, Natal e, claro, de música brega, que teve início em 2023.
“A OSBA busca ser uma extensão do seu povo. Ela não pode ser um disco voador vienense pousado em terras baianas. Ela está junto da sociedade baiana em todas as suas expressões culturais e o brega faz parte do nosso ser. É um gênero que une todas as gerações, todas as classes sociais”, afirmou o maestro.

Foto: João Lucas Dantas/ bahia.ba
O preconceito com a música brega
Questionado pela reportagem sobre o preconceito inicial que a OSBA sofreu ao anunciar que faria uma guinada tão popular, o maestro Carlos Prazeres diz que se trata de “puro suco do elitismo”.
“Eu considero que esse preconceito inicial que teve com o Osbrega é o mais puro suco do elitismo. De pessoas que, na verdade, se veem um Caetano Veloso cantando determinada música, ela é validada por eles. Mas se veem um Agnaldo Timóteo, um Odair José, um Wando, aí a música não é validada e passa a ser brega e não faz mais parte daquilo que eles consideram como grande balancial de uma elite detentora da preciosidade cultural, que é uma grande besteira, porque as classes se unem por essas canções. É de união que esse país precisa”, acrescentou.
Apesar da reação adversa de uma pequena parcela das pessoas que buscam por uma abordagem 100% erudita e clássica, a OSBA segue atraindo multidões por onde passa, sempre lotando os cinco mil lugares da Concha, com ingressos esgotados para diversos espetáculos.
“Eu acho incrível esse fenômeno com o público baiano, porque agora são pessoas que sabem reconhecer um oboé, uma clarineta, sabem que fagote não é pagode. Isso aqui na Bahia, onde as pessoas acham que só se faz um estilo de música, o estado é um grande caldeirão cultural, uma grande mistura. E isso também se reflete na sua orquestra sinfônica”, expressou Carlos.

Foto: João Lucas Dantas/ bahia.ba
O início dos concertos temáticos
Ao relembrar a ideia do Cine Concerto, o maestro reforça que, apesar de ser mais popular, ainda é um concerto de música clássica.
“Tem muito pouca música popular. Afinal, John Williams (autor das trilhas de Superman e de Star Wars) tem a mesma escrita de Richard Strauss, de Anton Bruckner, de Gustav Mahler. E outros compositores, como Ennio Morricone, também. O que nós subvertemos no Cine Concerto é quando os músicos entram fantasiados, quando todos esperam uma orquestra muito distante de você, vestida de fraque ou com casaca. O que já é difícil na Bahia, porque aqui é muito quente”, pontuou.
“Aqui na Concha, neste clima, que mesmo no inverno está sempre quente, é muito legal ver a criança que está lá, o Homem-Aranha tocando contrabaixo e a senhorinha vendo a Marilyn Monroe na clarineta. Foi isso que fez o público baiano entender: essa orquestra sou eu”, celebrou o maestro.
O regente da OSBA também fez questão de pontuar que, graças a essa abordagem, outros concertos de música clássica, como os dedicados a Bruckner, Strauss e Mahler, começaram também a ficar lotados.

Foto: João Lucas Dantas/ bahia.ba
As vozes que se mesclam à OSBA
Outro grande diferencial dos concertos temáticos da OSBA é receber todo tipo de convidado para acompanhar a orquestra na voz. No último ano, tivemos Geraldo Azevedo como homenageado na OSBA Junina, e muitos nomes acompanharam na OSBA Natalina, como Ivete Sangalo e Margareth Menezes.
Dessa vez, a sinfônica irá receber as participações de Juliana Linhares e Guigga. Perguntado sobre os desafios de mesclar a orquestra com vozes diversas sempre que possível, o maestro destaca que o desafio é ter que escolher esses cantores e cantoras, diante de um leque tão grande de opções.
“Nós temos aqui na Bahia esse coletivo incrível que é o Outras Vozes, do qual o Guigga faz parte. A gente buscou ele ali, como, por exemplo, buscamos outras figuras incríveis, como a Lu Britto, a Claúdia Cunha, a Ângela Velloso, para fazer o concerto homenageando a Gal Costa”, relembrou Carlos.
“Nós fazemos questão de chamar pessoas locais, mas também gostamos de mostrar o que é a Bahia para pessoas de fora, como a Juliana Linhares, que também é nordestina. Isso também conecta a OSBA com a sociedade a qual ela pertence”, destacou.

Repertório que mexe com a memória afetiva
Uma abordagem muito importante que é muito destacada através do Osbrega é o fato de o repertório ser muito pautado em músicas que marcam a memória afetiva e o imaginário popular brasileiro, de Calcinha Preta a Marília Mendonça, mas também exige o cuidado de adaptá-las para o modelo sinfônico.
“É justamente o grande ponto chave do Osbrega. Muita gente pensou que o concerto fosse ser de caricatura, que estaríamos com cordãozão, brincando com essa estética; a gente até brinca, mas é uma brincadeira saudável, que homenageia o estilo. Estaremos chiques”, prometeu o maestro.
“Esses arranjos são incríveis, feitos pelos melhores arranjadores do país, e aí são arranjos que emprestam para a música brega cores sinfônicas”, explicou.
O maestro também destaca a importância social que essas músicas ditas bregas tiveram para ser um ponto de partida de uma educação musical para o povo brasileiro e como a OSBA se esforça para retribuir esta alegria.
“Uma orquestra sinfônica não pode se prestar ao papel de executar somente belas músicas. Seria muito pouco e muito pobre essa entrega, em comparação ao recurso que o governo disponibiliza para a OSBA. Nós temos um papel social e não é de um posicionamento político, mas um posicionamento de cidadão. A orquestra é uma cidadã de Salvador e do estado da Bahia. É muito lindo ver como as classes se unem aqui”, declarou.
“Eu tive com os músicos algumas experiências com o Osbrega. Eu fui criado em uma bolha de música clássica, meu pai era maestro e minha mãe cantora lírica. Mas alguns músicos vêm chorando para mim falar ‘essa música eu ouvia quando era criança’. O nosso trombonista, que vem do interior de São Paulo, falou que é trombonista porque ouviu ‘Garçom’. Ele virou instrumentista por conta disso e depois foi conhecer o repertório de música clássica, destacou-se e entrou para uma orquestra incrível como a OSBA”, relatou o regente.

Não existe música clássica e popular
Neste contexto, a experiência com o Osbrega mostra um movimento de ida e volta. Músicos e público que vinham de universos distintos passam a reconhecer elementos de ambas as tradições musicais. A iniciativa tem efeito duplo, amplia o alcance social da orquestra e cria pontes afetivas que muitas vezes motivam trajetórias musicais.
“É muito bonito entender o que Radamés Gnattali falava: ‘Não existe música clássica e popular. Existe música boa e música ruim’. O que a gente está fazendo aqui é muito bom”, concluiu o maestro Carlos Prazeres.
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