.
Publicado em 19/01/2026 às 09h45.

Luiz Caldas celebra aniversário no MAM e reafirma o Axé como movimento plural

Artista relembra os 40 anos do álbum 'Magia', critica pressa por sucesso e aponta “falta de carinho” com a música nos dias de hoje

João Lucas Dantas
Foto: João Lucas Dantas/ bahia.ba

 

O cantor, compositor e pai da Axé Music, Luiz Caldas, transformou o Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM) em pura “Magia” durante o show que aconteceu na noite do último domingo (18), em Salvador. Nesta segunda-feira (19), o artista completa 63 anos, celebrados ontem junto ao público, em mais de três horas de apresentação, onde relembrou sucessos e apresentou versões de outros clássicos da música brasileira e mundial.

Em 2025, o álbum Magia completou 40 anos. Considerado o ponto de partida da Axé Music, o disco segue pautando projetos como a festa que aconteceu ontem. Ao bahia.ba, o músico lamentou a “falta de carinho” que os artistas têm com a música nos dias de hoje e celebrou a mistura de gêneros que o movimento musical baiano permite.

“É tudo muito diferente. A fase musical em que as pessoas se encontram hoje é muito mais canibal. Eu vejo como falta de carinho com a música. Porque as pessoas pensam o tempo todo em fazer sucesso. Eu estou falando de todo mundo, eu também penso em fazer sucesso, isso é natural. Mas a gente tem que ir com um pouco de paciência com isso, para que a gente não acabe deturpando a nossa arte”, declarou Luiz.

Tendo pavimentado o caminho para o início de um dos grandes movimentos musicais da história do Brasil, o cantor explica que Magia serviu como uma “bíblia” para o que viria a ser o Axé.

“Aquele disco é a bíblia, vamos dizer assim, porque ele pauta todo o segmento que veio depois, na sua andança. Porque, se você olhar, ele tem salsa, tem reggae, tem todo tipo de movimento. Isso é muito legal e valoroso para nós”, acrescentou.

Questionado se a sua visão do Axé hoje é a de um gênero fechado ou um ponto de partida para múltiplas possibilidades sonoras, o cantor devolveu com uma provocação: “Tem alguma banda de rock nova ou alguma coisa interessante?”.

“O Axé Music se encontra no lugar dele. Tranquilo. É mais uma forma de se fazer música. Porque não é um gênero musical. É muito diferente. Por exemplo, quando você fala de samba, de rock, de valsa, de jazz, são estilos musicais. O Axé não é estilo. Eu não posso apontar como ritmo, desde que Margareth Menezes canta Axé, Daniela Mercury canta, Ivete Sangalo canta, e são três artistas totalmente diferentes. Então essa pluralidade já explica tudo”, pontuou um dos grandes mestres da música brasileira.

Foto: João Lucas Dantas/ bahia.ba

Expectativas para o Carnaval 2026

Com o Carnaval 2026 batendo à porta, e com o tema oficial anunciado pela Prefeitura de Salvador sendo “Samba Nasceu Aqui”, o cantor disse estar com altas expectativas para trabalhar na folia momesca neste ano.

“Eu tenho muita coisa a fazer, não só em Salvador, mas no estado também, no Brasil. E levar o Axé Music, isso é o que é mais importante, que é uma música genuinamente baiana. Aqui é muito plural, porque a Bahia é mãe da música no Brasil, vamos dizer assim, com tanta gente boa, desde o primeiro disco a ser gravado aqui”, afirmou.

“E poder fazer parte de um plantel de tantos artistas que, durante toda a história, vieram trazendo coisas boas, isso é maravilhoso. Vou fazer 63 anos com tanta alegria, com tanta música legal, e as pessoas cantando comigo, curtindo. Está tudo no lugar”, celebrou Luiz.

Foto: João Lucas Dantas/ bahia.ba

Aniversário repleto de Axé

Fazendo aniversário nesta segunda-feira, o cantor refletiu sobre os motivos de ter uma carreira tão longeva e bem-sucedida, emplacando sucessos há mais de 40 anos, e afirmou que muito passa por entender o sentido da frase “bola da vez”.

“A gente não fica no topo o tempo todo, tudo é cíclico. A gente tem que respeitar esses tempos em que, muitas vezes, a gente não está em evidência, mas continua no coração das pessoas. Então muitos artistas novos ficam meio ansiosos quando se encontram nesse momento, que é, muitas vezes, de inflexão. Mas é legal que esses sejam os momentos em que você para para ver, analisar o que está acontecendo com a sua carreira”, refletiu.

Em conselho aos novos artistas e aos mais jovens, o cantor reafirmou a importância de as pessoas serem honestas consigo mesmas, acima de tudo.

“Não cante nada que você não gosta, porque isso vai seguir você para o resto da vida. Então cante sempre o que você ama, porque você vai estar sempre sendo honesto com o seu público e não vai haver problema nenhum, mentira nenhuma, só alegria mesmo”, concluiu Luiz Caldas.

 

Ver essa foto no Instagram

 

Um post compartilhado por bahia.ba (@bahia.ba)

João Lucas Dantas
Jornalista com experiência na área cultural, com passagem pelo Caderno 2+ do jornal A Tarde. Atuou como assessor de imprensa na Viva Comunicação Interativa, produzindo conteúdo para Luiz Caldas e Ilê Aiyê, e também na Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Salvador. Foi repórter no portal Bahia Econômica e, atualmente, cobre Cultura e Cidade no portal bahia.ba. DRT: 7543/BA

Mais notícias

Este site armazena cookies para coletar informações e melhorar sua experiência de navegação. Settings ou consulte nossa política.