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Publicado em 26/01/2026 às 07h55.

Produtores do sul da Bahia bloqueiam BR-101 em ato contra importação de cacau africano

Trecho na altura de Itamarati, distrito de Ibirapitanga, permaneceu congestionado neste domingo (25)

Raquel Franco
Foto: Reprodução/Redes sociais

 

Produtores e comerciantes de cacau do sul da Bahia bloquearam um trecho da BR-101 neste domingo (25) em protesto contra o aumento do preço na importação do cacau africano. A concentração iniciou às 6h no km 106, na altura de Itamarati, distrito de Ibirapitanga (BA), e causou congestionamento nos dois sentidos da rodovia durante todo o dia.

A manifestação reuniu fazendeiros, comerciantes, representantes de entidades de classe e lideranças políticas regionais ligadas à cadeia produtiva do cacau. Segundo os organizadores, eles denunciam a queda histórica no preço do cacau, agravada pela importação do produto, o que tem impactado diretamente a renda de quem vive da lavoura. 

O objetivo do movimento é chamar atenção das autoridades para a crise enfrentada no campo e a necessidade de ações imediatas. Outro ato está programado para quarta-feira (28) no mesmo local. 

Entenda os principais pontos que motivam os protestos dos produtores de cacau:

Deságios excessivos: Os produtores criticam os descontos aplicados pelas indústrias sobre os preços internos, baseados na Bolsa de Nova York. Eles alegam que os valores pagos estão nos menores níveis das últimas duas décadas;

– Importação do cacau africano: O setor produtivo acusa a entrada massiva de amêndoas da África de “achatar” os preços nacionais e criar estoques artificiais que prejudicam o produtor local;

– Falta de isonomia: Pedem a revisão das normas de classificação e logística para o cacau importado, alegando que as exigências para o produto estrangeiro não são tão rigorosas quanto as nacionais;

– Inviabilidade econômica: Em um ano, a arroba despencou de R$ 1.000 para R$ 250. Os produtores afirmam que o valor atual não cobre sequer os custos de manutenção das fazendas.

Visão da indústria

As moageiras alegam que o consumo de derivados de cacau caiu globalmente, o que reduziu o ritmo das fábricas e gerou acúmulo de estoque.Os representantes da indústria justificam as medidas alegando que a importação é estratégica para garantir o funcionamento das plantas. Também afirmam que os contratos são assinados com muita antecedência, sem previsão da volatilidade atual do mercado.

Raquel Franco
Natural de Brasília, formou-se em produção em comunicação e cultura e em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Também é fotógrafa formada pelo Labfoto. Foi trainee de jornalismo ambiental na Folha de S.Paulo.

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