Publicado em 05/02/2026 às 10h25.

Morre Ricardo Schnetzer, dublador de Tom Cruise e Nicolas Cage

O ator de voz enfrentava doença neurodegenerativa e faleceu aos 72 anos, marcando gerações no cinema, TV e animações

João Lucas Dantas
Foto: Reprodução @ricardoschnetzer via Instagram

 

Morreu nesta quarta-feira (4), aos 72 anos, Ricardo Schnetzer, um dos nomes mais reconhecidos da dublagem brasileira. O artista enfrentava a esclerose lateral amiotrófica (ELA), doença neurodegenerativa que compromete progressivamente o sistema nervoso.

A morte de Schnetzer repercutiu entre fãs, colegas de profissão e admiradores de diferentes gerações, que acompanharam seu trabalho em filmes, séries, animações e novelas estrangeiras exibidas no Brasil.

Enfrentamento da doença

Diagnosticado com ELA, o dublador vivia um quadro delicado nos últimos anos. Diante dos altos custos do tratamento, que incluíam enfermagem em tempo integral e fisioterapia respiratória, amigos, familiares e fãs organizaram, no início deste ano, uma vaquinha online.

A campanha tinha como meta arrecadar R$ 200 mil e alcançou pouco mais de R$ 118 mil, refletindo o reconhecimento ao seu legado e a importância de sua contribuição para o audiovisual brasileiro.

Uma carreira que atravessou gerações

Nascido no Rio de Janeiro, em 13 de abril de 1953, Ricardo Schnetzer iniciou a carreira artística na década de 1970. Formou-se na Escola de Teatro da Federação das Escolas Isoladas do Estado da Guanabara (FEFIEG), atual Unirio, onde estudou entre 1973 e 1976, e rapidamente se consolidou como uma das vozes mais requisitadas do país.

Ao longo de quase 50 anos de trajetória, tornou-se conhecido por dublar grandes nomes de Hollywood, sendo frequentemente associado a atores como Tom Cruise, Al Pacino, Richard Gere, Nicolas Cage, além de John Cusack, Patrick Swayze, Kurt Russell, Daniel Day-Lewis e John Turturro.

Entre seus trabalhos mais lembrados estão personagens como Tony Montana, de Scarface; o piloto Maverick, de Top Gun; e Edward Lewis, de Uma Linda Mulher.

Presença marcante em animações e séries

Schnetzer também teve atuação relevante no universo das animações e dos animes. Emprestou a voz a personagens que marcaram a memória afetiva do público, como Hank, de Caverna do Dragão; Capitão Planeta; Slade, de Jovens Titãs; e Albafica de Peixes, em Os Cavaleiros do Zodíaco: The Lost Canvas.

Participou ainda de produções de grande alcance, como Kung Fu Panda, Apenas um Show, Madagascar 2 e Madagascar 3. Na teledramaturgia estrangeira, foi a voz brasileira do ator mexicano Fernando Colunga, em novelas como A Usurpadora.

Atuação como diretor e formador

Além da dublagem, Ricardo Schnetzer teve papel relevante na formação de profissionais do setor. Iniciou a carreira como diretor de dublagem nos estúdios Herbert Richers, onde atuou por cerca de 15 anos, e também trabalhou em estúdios como Audio Corp, Bluebird e Alcateia.

Em 2016, participou da radionovela Herança de Ódio, exibida dentro da novela Êta Mundo Bom!, da TV Globo, ampliando ainda mais sua atuação artística.

João Lucas Dantas
Jornalista com experiência na área cultural, com passagem pelo Caderno 2+ do jornal A Tarde. Atuou como assessor de imprensa na Viva Comunicação Interativa, produzindo conteúdo para Luiz Caldas e Ilê Aiyê, e também na Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Salvador. Foi repórter no portal Bahia Econômica e, atualmente, cobre Cultura e Cidade no portal bahia.ba. DRT: 7543/BA

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