Publicado em 15/02/2026 às 19h18.

‘Tomara que seja samba mesmo’, diz Gerônimo sobre tema do Carnaval 2026 no Pelourinho

Ícone da música baiana avalia o gênero e celebra a diversidade no Centro Histórico

Raquel Franco / João Lucas Dantas
Foto: Rafael Mota / bahia.ba

 

Considerado uma das maiores referências do Centro Histórico de Salvador, o cantor e compositor Gerônimo Santana demonstrou preocupação com a qualidade das composições que têm sido apresentadas como samba no Carnaval de 2026. Em entrevista ao bahia.ba neste domingo (15), o artista criticou a diferença entre o gênero tradicional e as produções contemporâneas que circulam nas ruas. “Olha, tomara que seja samba mesmo, porque tem certos sambas aí que eu fico triste”, afirmou o músico.

Para Gerônimo, as letras atuais carecem da profundidade ou da malícia saudável de gerações anteriores. Ele relembrou versos de sua infância para ilustrar a diferença de abordagem. “Esses sambas que estão cantando aí eram um tipo de samba que eu quando eu era menino, quando eu era garoto, cantava isso na rua para poder mexer com os mais velhos. Assim, ó: ‘peguei um bonde, esbarrei na manivela, cobrador filho da puta me jogou pela janela’, sabe?”. Segundo o artista, embora o ritmo seja contagiante, “no Carnaval tem certas coisas que tem que se pensar”.

Apesar das observações sobre o repertório atual, Gerônimo celebrou sua participação na folia deste ano. O artista esteve no trio elétrico d’Os Mascarados ao lado da ministra da Cultura, Margareth Menezes. “Foi muito legal. Nós cantamos todo tipo de música, pela diversidade. As pessoas em harmonia, foi tudo muito lindo”, disse, ressaltando que o sentimento de pertencimento à capital baiana permanece intacto.

Conexão com o Centro Histórico

“Forte São Marcelo, Elevador Lacerda, Pelourinho, Gerônimo tá aí. Entendeu? Eu estou na parada”, brincou o músico ao falar sobre sua conexão com o Centro Histórico. 

Para ele, o local é muito mais que um palco. “O Centro Histórico é referência de cultura, é o maior sítio arquitetônico da América Latina, América do Sul”, afirmou, antes de encerrar com um de seus bordões clássicos: “Mas tocas a bumba que a terra é nossa”.

Gerônimo Santana estava escalado para encerrar a programação do Circuito Batatinha, no Pelourinho, na noite deste domingo (15). No entanto, por questões de ajuste na grade oficial, a apresentação do artista foi antecipada para as 17h, realizando a abertura da programação no Largo do Pelourinho.

Veja a programação do Carnaval no Largo do Pelourinho

 

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Raquel Franco
Natural de Brasília, formou-se em produção em comunicação e cultura e em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Também é fotógrafa formada pelo Labfoto. Foi trainee de jornalismo ambiental na Folha de S.Paulo.

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