Publicado em 15/02/2026 às 21h59.

Daniela Mercury cobra respeito após Justiça voltar atrás: ‘A única que ficou 30 anos sou eu’

Cantora transferiu explicação dos detalhes jurídicos para Malu Verçosa, mas desabafou sobre seu pioneirismo no Carnaval de Salvador

Raquel Franco / Neison Cerqueira
Foto: Camile Campos / bahia.ba

 

“A única que ficou de lá até aqui desfilando 30 anos, além de tudo, sou eu, com o Crocodilo”, disse a cantora Daniela Mercury ao comentar a instabilidade na ordem de desfile do circuito Barra-Ondina neste Carnaval. Momentos antes de iniciar sua apresentação neste domingo (15), a artista afirmou que a atual programação dos horários não reflete sua história como precursora do modelo de grandes blocos no trajeto.

Embora o Bloco Crocodilo tenha travado uma batalha judicial para abrir os desfiles — obtendo uma liminar favorável na quinta-feira (12), que acabou cassada pelo Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) no sábado (14) —, Daniela evitou entrar em minúcias técnicas sobre o processo.

A cantora transferiu a responsabilidade de explicar os desdobramentos jurídicos para sua esposa e empresária, Malu Verçosa. “A decisão específica minha esposa, que está cuidando, minha empresária, pode falar mais claramente”, afirmou.

Críticas à gestão do Carnaval

Segundo Mercury, sua migração para a Barra em 1996 ocorreu em um momento de saturação do Campo Grande, quando o novo trajeto ainda carecia de infraestrutura e público.

“Eu tô aqui na história desde o comecinho. Vim para cá no escuro, não tinha luz, não tinha televisão. Escolhi pelo horário que eu poderia ter alguma mídia. (…) De onde foi que surgiram [os outros]? Vieram de onde, de que planeta?”, questionou a Rainha do Axé.

Daniela relatou que, na década de 1990, convenceu os sócios do Crocodilo a apostar na Barra e que, ao longo dos anos, o cenário foi alterado sem a sua concordância. A cantora utilizou a expressão “ouvidos de mercador” para se referir às autoridades e conselhos que gerenciam a festa, sugerindo que os apelos por manutenção do reconhecimento e preferência pelo pioneirismo foram ignorados.

Entenda

A disputa escalou após blocos como Camaleão, Coruja e Olodum recorrerem da decisão que colocava Daniela na abertura do dia. As agremiações alegaram prejuízos logísticos e comerciais com a mudança repentina. Com a queda da liminar, o Crocodilo retornou para a sexta posição no domingo e a nona na segunda-feira.

Para Daniela, a questão ultrapassa a logística e toca na identidade da festa. “Quem são os donos do Carnaval? Somos nós que fazemos a história ou quem são essas pessoas? Porque não tá bom esse caminho, não é um caminho respeitoso”, desabafou.

Raquel Franco
Natural de Brasília, formou-se em produção em comunicação e cultura e em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Também é fotógrafa formada pelo Labfoto. Foi trainee de jornalismo ambiental na Folha de S.Paulo.

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