Publicado em 21/02/2026 às 09h47.

Grupo luso-chinês avança em negociações para assumir ferrovia, porto e mina na Bahia

Mota-Engil está proximo de assumir concessões da Fiol, Porto Sul e mina

Redação
Foto: Divulgação/BAMIN

 

O grupo português Mota-Engil está em fase avançada de negociação com o governo federal para assumir, em um único pacote, três projetos estratégicos na Bahia. Cerca de 500 quilômetros adicionais da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), o Porto Sul, previsto para Ilhéus (BA), e uma mina de minério de ferro em Caetité (BA).

Segundo informações da Folha, o tema foi discutido em reunião realizada em 26 de janeiro no Palácio do Planalto, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O encontro ocorreu fora da agenda oficial e contou ainda com os ministros Rui Costa (Casa Civil) e Renan Filho (Transportes), além do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), e do vice-presidente do conselho de administração da Mota-Engil, Manuel António da Mota.

Após a reunião, a empresa formalizou a proposta junto ao Ministério dos Transportes. O negócio está em fase de “due diligence”, etapa em que são analisadas as condições financeiras, jurídicas e operacionais dos ativos. A negociação envolve cláusulas de sigilo.

Estimativas apontam que o pacote pode alcançar R$ 15 bilhões em investimentos. A expectativa é de conclusão nas próximas semanas.

Corredor estratégico

O plano da Mota-Engil é assumir 100% das três concessões, sem a entrada de outros sócios. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) é citado como possível financiador, mas não como sócio via BNDESPar.

Por trás da empresa portuguesa está a China Communications Construction Company (CCCC), estatal chinesa que detém 32,4% da Mota-Engil e deve apoiar o financiamento da operação.

Se confirmada, a companhia assumirá um corredor ferroviário considerado estratégico para o escoamento de minério e grãos, conectando o agronegócio do Mato Grosso ao litoral baiano em um traçado projetado para superar 2.000 quilômetros de trilhos.

Atualmente, os ativos estão sob controle da Bamin, mineradora ligada ao grupo Eurasian Resources Group (ERG), do Cazaquistão, que interrompeu os investimentos após dificuldades financeiras.

Obras paradas

O trecho Fiol 1, com 537 quilômetros entre Caetité e Ilhéus, está com cerca de 75% das obras executadas, mas encontra-se paralisado. A ferrovia é fundamental para transportar o minério da mina Pedra de Ferro até o litoral.

Na ponta final do traçado está o Porto Sul, empreendimento privado com investimento estimado em R$ 8,3 bilhões. Apesar de já ter recebido cerca de R$ 723 milhões, o projeto não saiu do papel. Pelo cronograma oficial, a operação deveria começar até 2028, mas há atraso de ao menos 20 meses.

O complexo inclui ainda um segundo terminal sob responsabilidade do governo da Bahia, com previsão de R$ 4,3 bilhões em aportes, também sem início de obras.

Para o governo federal, a chamada “venda casada” dos três ativos é vista como forma de destravar projetos considerados estratégicos e atrair novos investidores, inclusive para o leilão da Fico-Fiol, que deve conectar a Bahia a Goiás e Mato Grosso.

 

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