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Publicado em 25/02/2026 às 12h48.

Mariene de Castro celebra 20 anos do projeto ‘Santo de Casa’ em Salvador

Show reúne convidados, gastronomia afro-baiana e tradições do Recôncavo neste sábado (28)

João Lucas Dantas
Foto: Karina Zambrana/ Divulgação

 

O Santo de Casa, um dos encontros musicais mais emblemáticos da cultura popular brasileira, inicia oficialmente as celebrações de seus 20 anos neste sábado (28), a partir das 18h, no Pátio Viração da Casa Rosa, no bairro do Rio Vermelho.

Esta será a primeira edição comemorativa das duas décadas do projeto criado e apresentado por Mariene de Castro, que, ao longo dos anos, consolidou-se como um espaço de resistência, ancestralidade e valorização das tradições afro-brasileiras.

A programação começa com um encontro inter-religioso, lembrando que o Santo de Casa nasce da fé e da partilha. Com alma do Recôncavo e atmosfera de festa de largo, o evento reúne samba de roda, samba chula, manifestações populares, comida de feira e o povo — protagonista maior desse encontro.

Ao longo dessas duas décadas, o projeto se manteve nos braços do público, sendo mais do que um show: um território de convivência entre cultura, memória coletiva e espiritualidade, profundamente enraizado nas tradições da Bahia.

Convidados especiais

O espetáculo contará com duas participações que reforçam o elo do Santo de Casa com a ancestralidade. Da Vila de São Braz, quilombo remanescente de Santo Amaro da Purificação, o Samba Chula de São Braz leva ao palco uma tradição secular herdada dos africanos escravizados na Bahia. Criado oficialmente em 1995, o coletivo preserva a oralidade e a musicalidade do samba-chula e do samba de roda do Recôncavo Baiano, gêneros de resistência que atravessam gerações e mantêm viva a memória das rodas afro-brasileiras.

Também participa da celebração o grupo As Ganhadeiras de Itapuã, formado por senhoras, crianças e músicos do bairro de Itapuã. O coletivo resgata as tradições das antigas negras de ganho do período colonial — símbolo histórico da força e da liderança feminina negra no Brasil — e desenvolve um trabalho de valorização da mulher como agente social e guardiã de memórias populares.

Vencedoras do Prêmio da Música Brasileira como Melhor Grupo Regional em 2015, As Ganhadeiras exaltam cantigas praieiras e o chamado “samba de mar aberto”, expressão que traduz a multiplicidade de ritmos presentes em seu repertório — entre samba de roda, afoxé, ciranda e referências eruditas — sempre acompanhadas de dança e teatralidade.

A relação entre Mariene e o grupo é antiga. Em 2009, elas participaram da gravação do DVD Santo de Casa, no Teatro Castro Alves, momento emblemático da carreira da artista. Juntas, também representaram a Bahia na cerimônia de encerramento dos Jogos Olímpicos de Verão de 2016, no Rio de Janeiro.

Gastronomia ancestral

A celebração dos 20 anos do Santo de Casa também se estende à cozinha. A edição deste sábado contará com cardápio especial assinado pelo afrochefe Jorge Washington, ator baiano que integra o elenco do Bando de Teatro Olodum e criador do projeto Culinária Musical, que une gastronomia e manifestações artísticas e costuma ser realizado na Casa Rosa e na Casa do Benin, no Pelourinho.

Reconhecido por priorizar ingredientes e modos de preparo da culinária afro-baiana, Jorge levará ao Santo de Casa pratos que dialogam com a proposta do projeto: celebrar a cultura popular também no paladar. O público poderá degustar um cardápio com maniçoba, arrumadinho de fumeiro, casquinha de siri com farofa e salada e porção de abará. As vendas serão feitas no local, com valores a partir de R$ 30.

Trilha sonora

No repertório deste sábado, o público poderá ouvir músicas do álbum Santo de Casa (2010), com canções que marcaram a trajetória de Mariene. O espetáculo inclui sambas de Roque Ferreira e Jota Velloso, chulas de Roberto Mendes, canções de Dorival Caymmi e Walmir Lima, além de composições autorais e cantigas tradicionais do Recôncavo.

Mariene de Castro despontou no cenário musical brasileiro como uma força singular. Iniciou sua trajetória ao lado de Carlinhos Brown e da Timbalada, antes de consolidar um caminho próprio, profundamente ligado às matrizes afro-brasileiras. Indicada ao Latin Grammy Awards em 2020 com o álbum Acaso Casa ao Vivo, é hoje uma das principais vozes do samba contemporâneo.

O trabalho da artista reúne referências do samba de roda, coco, maracatu, ijexá e jongo, além de ritmos das nações Kétu, Angola, Jeje e Efon, traduzindo em cena a força da ancestralidade e da espiritualidade que permeiam sua obra.

João Lucas Dantas
Jornalista com experiência na área cultural, com passagem pelo Caderno 2+ do jornal A Tarde. Atuou como assessor de imprensa na Viva Comunicação Interativa, produzindo conteúdo para Luiz Caldas e Ilê Aiyê, e também na Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Salvador. Foi repórter no portal Bahia Econômica e, atualmente, cobre Cultura e Cidade no portal bahia.ba. DRT: 7543/BA

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