Jornalista, apaixonado por comunicação e cultura, pós-graduando em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Atualmente integra as redações do Bahia.ba e do BNews, escrevendo principalmente sobre entretenimento, mas transitando também por outras editorias. Com passagens pelos portais Salvador Entretenimento e Voz da Cidade, tem experiência em reportagem, assessoria e Social Media.
Publicado em 09/03/2026 às 19h00.
Estudo aponta que mulheres recebem apenas 10% dos direitos na música brasileira
Relatório revela desigualdade na indústria, relatos de assédio e discriminação no setor
Edgar Luz

A edição de 2026 do estudo ‘Por Elas Que Fazem a Música’, lançado pela União Brasileira de Compositores (UBC), traz um retrato da desigualdade de gênero na indústria musical brasileira. O levantamento mostra que mulheres recebem apenas 10% do total distribuído em direitos autorais no país.
Além da diferença financeira, o relatório também aponta a persistência de discriminação e assédio, fatores que ainda dificultam o avanço feminino no setor.
Os dados referentes a 2025 destacam esse cenário. Entre os 100 maiores arrecadadores da UBC, apenas 11 são mulheres, o que evidencia a baixa presença feminina no topo da cadeia de arrecadação.
Por outro lado, houve um pequeno avanço no ranking. A melhor colocação feminina subiu da 21ª para a 16ª posição, indicando que, embora ainda sejam minoria, as mulheres que alcançam destaque estão ocupando posições mais altas.
Distribuição de renda entre mulheres
Entre as associadas da UBC, as autoras concentram 73% do total recebido pelas mulheres. Já as intérpretes representam 23%, enquanto as musicistas executantes ficam com 2%. As versionistas e produtoras fonográficas registram a menor participação, com apenas 1% cada da arrecadação feminina.

Outro dado relevante é o crescimento no número de mulheres associadas à entidade. Desde a primeira edição do relatório, em 2017, houve um aumento de 229% no total de associadas, sinalizando maior interesse feminino em atuar na indústria musical.
Mesmo assim, esse crescimento ainda não se reflete de forma proporcional nos rendimentos.
Desigualdade regional
A distribuição regional das associadas mostra forte concentração em algumas regiões do país. O Sudeste lidera, com 60% das associadas, seguido pelo Nordeste (17%), Sul (11%), Centro-Oeste (8%) e Norte (3%).
Segundo o estudo, essa disparidade geográfica aponta uma necessidade de políticas e iniciativas que incentivem a participação de mulheres em todas as regiões do Brasil.

O último ano também registrou crescimento na participação feminina na produção musical. O número de fonogramas registrados por produtoras fonográficas aumentou 13%, enquanto o de obras cadastradas por autoras e versionistas cresceu 12%.
O dado indica maior presença das mulheres não apenas como intérpretes, mas também nos bastidores da criação e produção musical.
Fontes de arrecadação
Entre os segmentos que mais geram renda para mulheres na música, Rádio e Shows lideram, cada um com 17% da arrecadação feminina. Em seguida aparece o streaming, responsável por 11% da receita. Na outra ponta está o cinema, que representa apenas 0,5% da renda total obtida pelas mulheres no setor.
Assédio e discriminação ainda são realidade
Para ampliar o retrato da indústria, a UBC realizou também um levantamento digital com mais de 280 mulheres profissionais da música, abordando temas como assédio, violência e discriminação.
Os dados mostram que 65% das participantes já sofreram algum tipo de assédio no ambiente profissional. Entre os casos relatados, 74% envolveram assédio sexual, 63% assédio verbal e 56% assédio moral. Além disso, 35% disseram ter enfrentado algum tipo de violência, principalmente psicológica (72%), seguida por toque físico sem consentimento (58%) e violência verbal (38%). Segundo o estudo, 96% das situações relatadas tiveram homens como autores.

Os impactos também atingem a trajetória profissional. 75% afirmaram ter sofrido consequências emocionais, e 50% disseram ter se afastado de pessoas ou ambientes de trabalho após os episódios.
Quase metade das entrevistadas (49%) afirmou não ter buscado apoio ou denunciado o ocorrido.
Discriminação no ambiente de trabalho
A pesquisa também apontou situações frequentes de discriminação profissional. Entre as entrevistadas, 63% disseram já ter sido ignoradas ou interrompidas em contextos profissionais, enquanto 59% receberam comentários que colocavam em dúvida sua competência.
Outras 57% relataram cobrança maior para provar capacidade, e 52% afirmaram ter tido créditos omitidos ou minimizados. Os ambientes mais citados para esses episódios foram reuniões de negócios (45%), bastidores de shows (31%), passagens de som (27%) e processos de contratação ou seleção de equipes (26%).
Impacto da maternidade
O estudo também analisou os efeitos da maternidade na carreira das profissionais da música. Entre as mulheres com filhos, 60% afirmaram que a carreira foi impactada, principalmente por menos convites de trabalho, redução de oportunidades e menos viagens ou turnês.
Também foram relatados comentários preconceituosos relacionados à maternidade.
Relatos de assédio
Alguns depoimentos coletados na pesquisa ilustram a gravidade das situações vividas por mulheres no setor. Uma profissional que preferiu não se identificar contou um caso pessoal:
“Um produtor de um grande festival do Nordeste, num comprimento passou a mão com vontade na minha cintura e subiu até o seio. Na hora fiquei sem reação. Meu companheiro viu a cena e ficou perplexo. Não me manifestei para não fechar uma porta, para que no momento oportuno, eu use a minha voz no palco”, disse.
A letrista Iara Ferreira também relatou um episódio marcante em sua carreira:
“Um músico 30 anos mais velho que eu, que eu admirava e super celebrado no meio, me convidou para compormos juntos. Quando cheguei a sua casa, havia uma cena preparada para um encontro amoroso (vinho, flores…) e ele se ‘declarou’ dizendo que ele mesmo já tinha feito a letra que tinha me pedido pra fazer, e era dedicada a mim”, relembrou.
“Me senti completamente desrespeitada e humilhada como profissional. Passei um bom tempo duvidando de minha capacidade, pensando que os homens que se aproximavam de mim dizendo que gostavam de meu trabalho, na verdade o faziam com segundas intenções. Essa foi apenas uma de várias situações ao longo desses 15 anos trabalhando como letrista”, completou.
Mulheres em cargos de liderança na UBC
Apesar dos desafios apontados pelo estudo, a UBC afirma ter avançado internamente na busca por equidade de gênero. Atualmente, 100% das filiais da entidade são gerenciadas por mulheres.
No quadro geral, 59% da equipe é composta por mulheres, que também ocupam 57% dos cargos de liderança. Em 2023, a organização elegeu Paula Lima como sua primeira Diretora-Presidenta. Ela destacou a importância do relatório:
“O relatório Por Elas Que Fazem a Música 2026 revela que o crescimento da presença feminina na UBC é resultado de um processo contínuo de transformação e de um compromisso real com a equidade”, afirmou.
Caminho ainda é longo
Para a cantora Fernanda Takai, diretora da UBC, os números mostram que ainda há um longo caminho pela frente.
“Chegamos a mais um relatório sobre a presença feminina da UBC e temos a certeza de que há um caminho enorme a percorrer. Embora os números estejam se expandindo, autoras, versionistas, intérpretes, musicistas e produtoras ocupam apenas 17% da base total da associação, e constatamos recortes muito claros sobre concentração geográfica e também etária”, declarou.
Já Mila Ventura, gerente de comunicação e marketing da entidade e coordenadora do projeto, destacou o papel do estudo na visibilidade das questões de gênero no setor.
“A importância do relatório ‘Por Elas Que Fazem a Música’, não só na nossa indústria, mas na sociedade como um todo, nos motiva a seguir acompanhando e fomentando a presença feminina na música”, acrescentou.
Segundo ela, o objetivo é ampliar o debate e fortalecer a presença feminina na música. “A UBC segue na sua missão de valorizar, fortalecer e ampliar a equidade de gênero na indústria musical”, finalizou.
Mais notícias
-
Famosos20h04 de 09/03/2026
Vídeo de Leonardo com neto e bebida alcoólica gera polêmica nas redes; ASSISTA
Cantor aparece em gravação com o pequeno José Leonardo e atitude divide opiniões entre internautas
-
Famosos19h41 de 09/03/2026
Jéssica Senra critica vídeos associado à violência contra mulheres: ‘Inacreditável’
Jornalista sugeriu que homens criem conteúdos denunciando atitudes machistas
-
Famosos19h29 de 09/03/2026
Yuri Lima admite ciúmes de Iza após cantora assumir novo namoro
Jogador afirmou que segue solteiro após término com a cantora
-
Famosos18h25 de 09/03/2026
VÍDEO: Kelly Key e marido denunciam vizinho e relatam tentativa de agressão
Cantora afirmou que episódios envolvendo morador do condomínio já foram levados à polícia
-
Redes Sociais17h43 de 09/03/2026
Influenciador baiano é criticado por vídeo acusado de incitar violência contra mulher
Conteúdo de Lipe Daily voltou a circular nas redes no Dia Internacional da Mulher
-
Famosos16h44 de 09/03/2026
Modelo salva em contato de Vorcaro como ‘futura esposa’ se pronuncia; veja
Influenciadora russa abriu o jogo sobre relação com banqueiro após ser citada em investigação
-
Famosos16h00 de 09/03/2026
Paula Lavigne abre vida sexual com Caetano Veloso: ‘Ainda temos’
Empresária ainda comentou mudanças provocadas pelos hormônios
-
BBB2615h41 de 09/03/2026
Babu, Chaiany e Milena se enfrentam no oitavo paredão do BBB 26
Formação teve indicação de líderes, imunidade e reviravolta na Prova Bate-Volta
-
Cinema15h19 de 09/03/2026
Documentário ‘3 Obás de Xangô’ terá exibição em festival de Paris
Filme sobre a amizade entre Jorge Amado, Dorival Caymmi e Carybé integra programação do Back2Black









