Publicado em 10/03/2026 às 09h00.

PT acusa Trump de tentar influenciar eleições no Brasil com debate sobre facções

Itamaraty e Casa Branca divergem sobre enquadramento legal de facções

Daniel Serrano
Fotomontagem: Ricardo Stuckert/Presidência da República e Reprodução/Instagram/Donald Trump

 

Membros do PT avaliam que a proposta dos Estados Unidos de equiparar as facções criminosas brasileiras a organizações terroristas é uma tentativa do presidente Donald Trump de interferir nas eleições presidenciais deste ano no Brasil. As informações são da CNN Brasil. 

A proposta é rechaçada pelo PT e pelo governo Lula. O entendimento é de que o tema se trata de uma ofensiva de Trump de tentar projetar a direita na América Latina. Além do Brasil, Peru e Colômbia também têm eleições neste ano.

A conversa entre Trump e Lula na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em setembro do ano passado, deu algum alívio para o governo brasileiro. No entanto, a proposta de classificar grupos como PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas fez com que o Palácio do Planalto voltasse a desconfiar das intenções da Casa Branca.

No domingo (8), o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, teve uma conversa com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, sobre uma parceria para o combate ao crime organizado. Além disso, o tema deve ser um dos pontos discutidos na reunião entre Lula e Trump. Inicialmente, o encontro estava previsto para este mês, mas segue sem data definida. A justificativa para o adiamento é a guerra com o Irã.

A preocupação do governo brasileiro é que o debate seja usado politicamente pela oposição e acabe contaminando o diálogo diplomático entre Brasil e EUA. Em maio do ano passado, o senador Flávio Bolsonaro entregou a uma comitiva enviada pelo governo Trump um dossiê produzido pelas Secretarias de Segurança Pública do Rio de Janeiro e de São Paulo. O documento relaciona a atuação de facções criminosas brasileiras a práticas consideradas terroristas.

Durante a visita, representantes do governo dos EUA também se reuniram com técnicos do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Na ocasião, foi informado à comitiva norte-americana que a legislação brasileira classifica essas organizações como grupos criminosos e não como organizações terroristas.

Daniel Serrano
Daniel Serrano é baiano de Salvador e atua como repórter de Política no bahia.ba. com passagens pela TV da Câmara Municipal de Salvador e pelos sites Varela Notícias, Radar da Bahia, Política Ao Vivo e BNews.

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