Publicado em 12/03/2026 às 18h20.

Autor da estátua de Moraes Moreira revela emoção de retratar o artista; confira

Artista plástico Roberto Manga destacou importância de preservar a memória do músico

João Lucas Dantas / Edgar Luz
Foto: João Lucas Dantas/Bahia.ba

 

O artista plástico Roberto Manga, responsável pela criação da estátua em homenagem a Moraes Moreira, inaugurada nesta quinta-feira (12) nas proximidades da Praça Castro Alves, em Salvador, falou sobre a emoção de transformar o cantor e compositor em uma obra permanente na cidade.

Segundo ele, o processo de criação também foi uma forma de se conectar com a essência artística de Moraes e com a relação que o músico tinha com o público.

“Eu estou representando ele e estou me representando também, porque a gente vê e entende ele como artista e se entende nessa proximidade com o público, nessa naturalidade de estar em contato com as pessoas. Moraes é muito povo, é muita emoção natural de estar aqui. É ser muito soteropolitano mesmo”, afirmou.

O artista também destacou a força da produção cultural baiana e a importância de diferentes linguagens artísticas para contar essa história:

“A gente fala muito de música, mas a escultura também soma tudo isso e está aqui participando, completando esse link com o público, reavivando a memória. Isso faz parte do nosso patrimônio. É um vulto, é uma pessoa que fez parte da história da gente e vai continuar fazendo, porque a história continua”, disse.

Reconhecimento e trajetória

Roberto Manga contou ainda que se sentiu honrado por ter sido escolhido para desenvolver a obra, especialmente por se tratar de uma homenagem a um dos nomes mais importantes da música brasileira.

“Eu fico lisonjeado porque, na época, a escolha foi para que fosse um artista baiano, que não fosse tão conhecido do público, mas que já atuasse fazendo figura humana expressiva e realista. Então houve essa busca real por um artista que pudesse representar Moraes e sintetizar a expressão dele junto com o público e com a história dele”, explicou.

Para o escultor, a obra também busca retratar a intensidade da trajetória do artista ao longo da vida. “O artista não pode ser produzido somente no final da vida dele. Tem que fazer um somatório de tudo, dividir e ter uma noção exata do que isso representa. Moraes Moreira representa muito a vibração da vida, a história do carnaval da cidade”, declarou.

Símbolo do Carnaval

Manga também lembrou da importância histórica de Moraes Moreira para o Carnaval de Salvador, destacando o papel pioneiro do cantor na história dos trios elétricos.

“O trio foi inventado, mas quem foi o primeiro cantor? Foi Moraes Moreira. Então ele é um representante nato do que é a cultura baiana, da inovação, da criatividade e da expressividade”, apontou.

O artista ainda relembrou momentos em que assistiu a apresentações do músico na própria Praça Castro Alves, local escolhido para receber a escultura.

“Algumas vezes eu presenciei ele tocando aqui. Ele tinha uma magia. Não estava aqui só por uma questão profissional, estava por amor. Era um artista que você entendia poesia, composição, música, vibração. Ele tinha que estar aqui, na Praça Castro Alves, próximo do público”, pontuou.

Ao final, Roberto Manga disse que participar da homenagem representa um marco em sua trajetória profissional. “Poder representar ele, para mim, é muito orgulho. É uma maravilha para o meu trabalho estar podendo preservar a memória dele, a história dele, e ter a fisionomia dele vibrando na cidade”, concluiu.

João Lucas Dantas
Jornalista com experiência na área cultural, com passagem pelo Caderno 2+ do jornal A Tarde. Atuou como assessor de imprensa na Viva Comunicação Interativa, produzindo conteúdo para Luiz Caldas e Ilê Aiyê, e também na Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Salvador. Foi repórter no portal Bahia Econômica e, atualmente, cobre Cultura e Cidade no portal bahia.ba. DRT: 7543/BA

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