Publicado em 16/03/2026 às 09h58.

Peça premiada ‘Vermelho Melodrama’ volta a cartaz em Salvador

Obra retorna aos palcos após sete anos, com sua história melodramática que pontua situações reais que mais parecem ficção

Redação
Foto: Patrícia Almeida/divulgação

 

Segredos inconfessos, triângulos amorosos e paixões inflamadas que se cruzam com o melodrama de acontecimentos políticos do Brasil: após sete anos de sua estreia, “Vermelho Melodrama” finalmente volta para sua segunda temporada. O espetáculo, com muito gosto, mergulha no gênero do melodrama e, a partir de suas típicas construções, aciona questionamentos sobre as ficções de nossa realidade. Baseada em texto do dramaturgo Gildon Oliveira, com encenação e adaptação de Jorge Alencar, a peça agora reúne Diogo Lopes Filho, Lia Lordelo, Neto Machado, Véu Pessoa e Vinicius Bustani em seu elenco.

Serão 15 apresentações em cinco semanas, de 10 de abril a 10 de maio, no Teatro Gregório de Mattos, sextas e sábados às 19h e domingos às 18h. Ingressos custam R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia), à venda em www.sympla.com.br/dimentiproducoes.

Além de ocupar um espaço com acessibilidade arquitetônica, serão oferecidas audiodescrição e tradução em Libras em cinco datas: 12, 17 e 26 de abril e 1º e 10 de maio.

O texto original, “Vermelho rubro amoroso… profundo, insistente e definitivo!”, é como uma ode ao melodrama por detalhar meticulosamente a sua arquitetura. Gênero dramático que se firmou no teatro francês no final do século XVIII, caracterizado principalmente pelo acesso direto à sentimentalidade do espectador, o melodrama, desde seu nascedouro, teve grande apelo popular ao mesclar dramaturgia, música, pantomima, narrativas corporais, vaudeville e comédia ligeira. Largamente presente na cultura brasileira, o melodrama é evidenciado na peça como fenômeno atual que atravessa, de diversas formas, as nossas subjetividades: afetos, valores, pensamentos, singularidades.

A encenação de “Vermelho Melodrama” coloca a dramaturgia do baiano Gildon em diálogo com uma série de outros autores, como Clarice Lispector, Angela Davis, Linn da Quebrada e Georges Didi-Huberman, levantando assuntos como a emoção na contemporaneidade e o direito ao afeto. O espetáculo ainda traça paralelos com questões sociopolíticas – se, em sua estreia, em 2019, vivíamos um sombrio momento político, hoje ainda encaramos ameaças fascistas e antidemocráticas em nosso país e ao redor do mundo. Amor e ódio em polaridade.

“Remontar um melodrama hoje vai muito além de dar corpo a uma narrativa rocambolesca com suas guinadas e personagens arquetípicos. Há quem fale que o melodrama morreu. Há quem jure que suas mutações seguem infiltradas em todo tipo de plataforma contemporânea – televisão, cinema, literatura, redes sociais… Há quem reivindique (talvez a própria realidade) que as tramas políticas de nosso país superam qualquer ficção”, contextualiza o diretor Jorge Alencar, que pergunta: “Como e a quem é dado o direito de melodramar por amor? Quais são as performances de gênero aí reiteradas ou rejeitadas? Qual medida tomar para falar de sentimentos desmedidos? Quais aberturas textuais permitem a existência de outras vozes?”.

Premiado como Melhor Espetáculo do Prêmio Braskem de Teatro 2019, no qual recebeu cinco indicações e também levou o troféu de Categoria Especial pelo figurino e adereços de Luiz Santana, o espetáculo derruba máscaras com seus personagens arquetípicos, grandes revelações e reviravoltas.

A história central, inspirada no famoso “crime do ketchup”, ocorrido no interior da Bahia em 2011, gira em torno dos órfãos Lúcio Mauro, Carlos Manuel e Lurdes Maria, que foram criados como irmãos. O motor dramatúrgico é uma carta que não foi entregue ao seu destinatário, guardando uma revelação que pode mudar o destino de todos. Numa dinâmica entre real e simulacro, as emoções são amplificadas e colocam sentimentos à frente de um pensamento exclusivamente racionalista.

A peça tem assistência de direção de Larissa Lacerda e Marina Martinelli, colaboração artística de Ellen Mello e Jacyan Castilho e direção de arte da TANTO CRIA – Patricia Almeida, Fábio Steque e Daniel Sabóia. A trilha sonora e direção musical são do compositor Luciano Salvador Bahia. Quem assina as canções é o músico e cantor Leo Fressato, autor da música “Oração”, tocada pel’A Banda Mais Bonita da Cidade.

Realizado pela Dimenti Produções Culturais, o projeto “Vermelho Melodrama: O Retorno (Ainda Mais Intenso e Visceral)” foi contemplado pelo edital Chamadão das Artes Cênicas, com recursos financeiros da Fundação Gregório de Mattos, Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, Prefeitura de Salvador.

SINOPSE – Um melodrama sobre uma carta que não foi entregue. A história de três órfãos que foram criados como irmãos e cujas vidas foram atravessadas por amores inconfessos, segredos do passado e grandes reviravoltas. Em meio a tempestades de emoções, algumas perguntas vêm à tona: você acredita no destino? Onde reside a potência de uma carta nesta era digital? Como ativar emoções revolucionárias? Até quando vai o melodrama da vida política de nosso país, do mundo? “Vermelho Melodrama”. Como cor de esmalte. Como transbordamento.

VERMELHO MELODRAMA

Quando: 10 de abril a 10 de maio

Horários: Sextas e sábados, 19h; domingos, 18h

Onde: Teatro Gregório de Mattos (Praça Castro Alves, s/n)

Quanto: R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia)

Venda antecipada em: www.sympla.com.br/dimentiproducoes

Classificação indicativa: 16 anos

Recursos de acessibilidade: Espaço com acessibilidade arquitetônica; audiodescrição e tradução em Libras nos dias 12, 17 e 26 de abril e 1º e 10 de maio

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