Publicado em 19/03/2026 às 19h48.

Centro Histórico de Salvador sedia a primeira exposição do ‘Terno das Almas’

Mostra apresenta obras inspiradas em ritual de fé de Igatu e propõe reflexão sobre memória e identidade cultural

Edgar Luz
Foto: Divulgação/Cesare Simioni

 

A tradicional procissão do Terno das Almas, realizada no município de Igatu, na Chapada Diamantina, inspira uma nova exposição em Salvador. A mostra, que leva o mesmo nome do ritual, será aberta ao público a partir do dia 27 de março, no ME Ateliê da Fotografia, no bairro de Santo Antônio Além do Carmo.

Com entrada gratuita, a exposição reúne 16 obras inéditas de artistas do Brasil e dos Estados Unidos. A proposta é explorar, por meio de diferentes linguagens visuais, elementos simbólicos e históricos ligados à manifestação religiosa, marcada por cânticos, vestimentas e percursos noturnos.

A mostra segue em cartaz até 26 de abril, com visitação de sexta a domingo, das 16h às 19h. A curadoria é assinada pelo fotógrafo Reinaldo Giarola, que há anos acompanha e registra o ritual em cidades como Igatu, Mucugê e Lençóis.

As obras dialogam com aspectos recorrentes da tradição, como os lençóis brancos usados pelos participantes, a presença da cruz e a atmosfera silenciosa das procissões. O conjunto também evidencia diferentes interpretações visuais sobre o tema, a partir do olhar de fotógrafos e artistas plásticos convidados.

Foto: Divulgação/Marcelo Edington

 

Entre os participantes estão nomes como Acson Barbosa, Ana Kruschewsky, Cesari Simioni, Dorges Studart, Gelaryn Shukwit, Giácomo Mancini, Magali Abreu, Marcelo Edington e Vânia Viana, entre outros.

A exposição surge a partir do processo de retomada do Terno das Almas, que havia deixado de ocorrer por décadas após o esvaziamento populacional nas Lavras Diamantinas. Segundo Giarola, esse movimento foi determinante para a construção do projeto:

“Com o processo de esvaziamento ocorrido nas Lavras Diamantinas, a partir da metade do século passado, quando sua população diminuiu drasticamente, as manifestações culturais foram desaparecendo e já não se ouvia mais o ‘Terno das Almas’. Passaram-se 23 anos até que numa quarta-feira santa, por iniciativa da ‘Galeria Arte & Memória’ e de algumas pessoas que mantiveram em sua mocidade grandes vínculos com referido ritual, o Terno retomou suas celebrações em devoção às ‘Santas Almas Benditas’. Ao longo deste percurso, mergulhei com afinco no tema e nas últimas duas décadas registrei a evolução da retomada deste grande e necessário movimento”, revela o curador.

Foto: Divulgação/Ana Kruchewsky

 

O fotógrafo e anfitrião do espaço, Mário Edson, destaca que o ritual ultrapassa o campo religioso e se conecta com dimensões simbólicas e coletivas:

“Neste conjunto de obras, os artistas acolhem esse chamado e o traduzem em linguagem visual plural: há quem busque a dramaticidade das sombras, quem se detenha no gesto mínimo, quem revele a paisagem humana que sustenta o rito há gerações. Cada obra nasce do encontro entre presença e respeito, entre a luz rarefeita das noites de procissão e a densidade simbólica de um dos mais comoventes patrimônios imateriais do interior baiano”, conclui Mário.

Edgar Luz
Jornalista, apaixonado por comunicação e cultura, pós-graduando em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Atualmente integra as redações do Bahia.ba e do BNews, escrevendo principalmente sobre entretenimento, mas transitando também por outras editorias. Com passagens pelos portais Salvador Entretenimento e Voz da Cidade, tem experiência em reportagem, assessoria e Social Media.

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