Publicado em 20/03/2026 às 11h52.

Salvador sedia exposição ‘Terno das Almas’ em homenagem à procissão serrana

Mostra reúne 16 artistas do Brasil e dos Estados Unidos e resgata procissão histórica de Igatu

João Lucas Dantas
Foto: Ana Kruchewsky/ Divulgação

 

Terno das Almas, a histórica procissão de fé anunciada por moradores do município de Igatu, na Chapada Diamantina (BA), é a inspiração para a nova exposição homônima do ME Ateliê da Fotografia.

Situado no bairro de Santo Antônio Além do Carmo, em Salvador, o espaço recebe a mostra, que reúne 16 obras inéditas por meio das lentes e expressões de artistas do Brasil e dos Estados Unidos, com o objetivo de perpetuar os cânticos e o ritual serrano através da arte.

Com vernissage para convidados na sexta-feira (27), às 19h, a exposição Terno das Almas utiliza a memória baiana como instrumento de valorização das práticas religiosas. Aberta ao público a partir do dia 28, a mostra segue em cartaz até 26 de abril, com visitação de sexta a domingo, das 16h às 19h.

Assinada pelo fotógrafo e curador Reinaldo Giarola, a exposição convida o público a conhecer as heranças religiosas presentes em cidades como Andaraí, Mucugê e Lençóis. Por meio das obras, os visitantes entram em contato com elementos marcantes do ritual, como os lençóis brancos, a cruz de Cristo bordada nas vestes e a atmosfera de serenidade que envolve a procissão.

Foto: Cesare Simioni/ Divulgação

A mostra reúne fotógrafos e artistas plásticos como Acson Barbosa, Ana Kruschewsky, Armando Cr, Cesari Simioni, Dorge Stuart, Gelaryn Shukwit (EUA), Giácomo Mancini, Henrique Muccini, Magali Abreu, Marcelo Edington, Rebouças, o próprio Reinaldo Giarola, Ricardo Macedo, Tarciso Albuquerque, Vânia Viana e Vini Chapada.

Inspirado pela retomada do Terno das Almas em Igatu, Giarola destaca que as celebrações em devoção às “Santas Almas Benditas” deram origem à mostra como forma de registrar e valorizar a tradição. Segundo ele, o esvaziamento populacional nas Lavras Diamantinas, a partir da metade do século passado, contribuiu para o desaparecimento de manifestações culturais, incluindo o próprio Terno, que só foi retomado mais de duas décadas depois, durante uma Quarta-feira Santa.

Ao longo desse período, o fotógrafo acompanhou e registrou a retomada do ritual, transformando essa vivência em base para a exposição. Já o artista e anfitrião do espaço, Mário Edson, destaca que a proposta é traduzir visualmente a dimensão simbólica da celebração.

Segundo ele, a vila de pedra de Igatu se transforma em um espaço vivo de narrativa e escuta do território sagrado. “Os artistas traduzem esse chamado em diferentes linguagens visuais, explorando desde a dramaticidade das sombras até os gestos mais sutis, revelando a força de um dos mais importantes patrimônios imateriais do interior baiano”, afirma.

João Lucas Dantas
Jornalista com experiência na área cultural, com passagem pelo Caderno 2+ do jornal A Tarde. Atuou como assessor de imprensa na Viva Comunicação Interativa, produzindo conteúdo para Luiz Caldas e Ilê Aiyê, e também na Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Salvador. Foi repórter no portal Bahia Econômica e, atualmente, cobre Cultura e Cidade no portal bahia.ba. DRT: 7543/BA

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