Publicado em 25/03/2026 às 09h06.

Caso Sara Freitas: julgamento chega à reta final e júri deve tomar decisão nesta quarta (25)

Defesa e acusação apresentam teses conflitantes em júri popular em Dias D’Ávila

Raquel Franco
Fotos: Reprodução/TV Bahia

 

O julgamento dos três acusados de matar a cantora gospel Sara Freitas entrou no seu segundo dia, nesta quarta-feira (25), no Fórum Desembargador Gerson Pereira dos Santos, em Dias D’Ávila. Após mais de 12 horas de sessão nesta terça-feira (23), que teve início por volta de 11h e foi até 00h20, o processo chega à fase de debates entre a acusação, representada pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA), e os advogados dos réus. 

Nesta quarta-feira, os sete jurados de Dias D’Ávila ouvirão a acusação e a defesa antes de se reunirem para decidir o veredicto. 

Sara Freitas foi morta em outubro de 2023 e seu corpo foi encontrado queimado às margens da BA-093. Um quarto envolvido, o motorista Gideão Duarte, já foi condenado a 20 anos e 4 meses de prisão em julgamento anterior.

Foto: Reprodução/Redes Sociais

 

Saiba como foi o primeiro dia de julgamento

No primeiro dia de depoimentos, a defesa e a acusação apresentaram versões conflitantes sobre o crime. Enquanto o MP sustenta a tese de feminicídio planejado, Ederlan Santos Mariano, ex-marido da vítima e apontado como mandante, nega qualquer participação no assassinato.

A sessão foi marcada pelos depoimentos das testemunhas e pelo interrogatório dos réus Ederlan Santos Mariano, Weslen Pablo Correia de Jesus, o “Bispo Zadoque” e Victor Gabriel Oliveira Neves. A mãe de Sara, Dolores Freitas, e a irmã, Soraia Freitas, também foram ouvidas.

“Para mim eles [advogados de Ederlan] foram uns mentirosos, porque eles foram capazes de abandonar para não ter o julgamento, para que eu voltasse novamente. Eles estão querendo só que a gente gaste. Mas que seja feita a vontade de Deus hoje, e eu espero que dê tudo certo”, afirmou Dolores para a TV Bahia.

O que diz o advogado da família de Sara

“O seu Ederlan já está sendo ouvido, está negando. Descaradamente negando, totalmente contrário às provas. A gente tem provas mais do que suficientes para conseguir a condenação deles, como conseguimos do Gideão, que é o motorista que conduziu Sara até a morte, condenado aqui a 20 anos e 4 meses de cadeia”, afirmou Rogério Matos, advogado da família de Sara em entrevista à TV Bahia

“É uma sensação de justiça parcial, porque apesar de o julgamento ter demorado um pouco para acontecer, eles seguem devidamente presos. A nossa expectativa é que eles saiam daqui condenados e que voltem para a cadeia”, afirmou.

O que diz o advogado de Ederlan

Otto Lopes, advogado de Ederlan, reafirma que seu cliente é inocente. “Ederlan não planejou nada, não participou de nada, não tem nenhuma relação com os fatos apurados. Inclusive Ederlan sequer conhece as pessoas que são acusadas de ter cometido esse crime, e eles falam que não conheciam e não tinham relação com Ederlan”, disse. 

Ele classificou o primeiro dia de julgamento como “produtivo”. “A acusação não apresenta nenhum elemento que ligue ele aos fatos imputados. A gente acredita que diante do que está sendo apresentado aqui, de fato ele será absolvido, porque é inocente”, afirmou o advogado.

Como foi o crime

De acordo com informações do delegado Euvaldo Costa, responsável pelo inquérito do caso, as investigações apontam a participação de cada um dos acusados da seguinte forma:

Ederlan Mariano, o marido de Sara, é o mandante do crime;

–  O motorista por aplicativo Gideão Duarte, que já está condenado, levou Sara até o local combinado;

Vitor Gabriel segurou a vítima;

Bispo Zadoque esfaqueou Sara.

Pagamentos

De acordo com a investigação, Ederlan Santos Mariano teria efetuado pagamentos que somam R$ 2 mil para execução do crime.  

Bispo Zadoque teria recebido R$ 900 para esfaquear a vítima e ocultar o cadáver; 

Victor Gabriel de Oliveira recebeu R$ 500 para imobilizar Sara, além de ter participado da ocultação do corpo;

Gideão Duarte foi remunerado em R$ 400 para transportar Sara para o local da execução e levar os homens para a casa de Ederlan, além de retornar ao local com os executores para o corpo de Sara ser carbonizado;

– Um homem identificado como “cantor Davi Oliveira” teria recebido R$ 200 pois, de acordo com os demais acusados, ele sabia do plano para matar Sara Freitas, mas não participou do crime. A polícia não divulgou se esse homem será indiciado.

Raquel Franco
Natural de Brasília, formou-se em produção em comunicação e cultura e em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Também é fotógrafa formada pelo Labfoto. Foi trainee de jornalismo ambiental na Folha de S.Paulo.

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