Publicado em 07/04/2026 às 15h01.

Filme sobre Michael Jackson corta acusações de abuso após entrave legal

Cinebiografia elimina escândalos do roteiro, passa por refilmagens e aposta em retrato focado na música

João Lucas Dantas
Foto: Reprodução/ Lionsgate

 

A cinebiografia Michael sofreu mudanças profundas nos bastidores e teve todas as referências às acusações de abuso sexual removidas da narrativa, segundo informações divulgadas pela revista americana Variety.

A decisão ocorreu após advogados do espólio do artista identificarem uma cláusula em um acordo firmado com Jordan Chandler (quando adolescente, fez a primeira acusação pública de abuso sexual contra Michael Jackson), que impede a inclusão ou menção ao caso em produções audiovisuais.

O roteiro original previa abordar diretamente as denúncias de 1993, incluindo cenas com investigadores na mansão Neverland e o impacto público das acusações na vida do cantor.

Esse arco ocuparia parte importante do terceiro ato, mostrando um dos momentos mais delicados da carreira do artista. No entanto, com o impedimento legal, essas sequências foram totalmente descartadas, obrigando a equipe a reestruturar o desfecho do filme.

Com isso, a produção abandona o período mais controverso da trajetória de MJ e passa a encerrar a história em um momento de auge, durante a turnê “Bad” (1987 – 1989).

A mudança também altera o tom geral do longa, que passa a priorizar a carreira musical, grandes performances e conflitos familiares — especialmente a relação do cantor com o pai, Joe Jackson.

As alterações de última hora geraram impacto direto na produção. O elenco precisou retornar aos estúdios para refilmagens, com cerca de três semanas adicionais de gravações dedicadas à construção de um novo terceiro ato.

Além disso, o processo contribuiu para o adiamento da estreia, inicialmente prevista para 2025, com lançamento somente neste mês de abril de 2026, além de elevar os custos do projeto, já considerado um dos mais caros do gênero.

Produzido com participação ativa do espólio de Michael Jackson, o filme também reflete uma estratégia de controle sobre a imagem do artista, ainda cercada por controvérsias. Apesar disso, a aposta é que o apelo popular do cantor e o foco em sua trajetória musical impulsionem o desempenho nas bilheterias, com expectativa de grande alcance global.

João Lucas Dantas
Jornalista com experiência na área cultural, com passagem pelo Caderno 2+ do jornal A Tarde. Atuou como assessor de imprensa na Viva Comunicação Interativa, produzindo conteúdo para Luiz Caldas e Ilê Aiyê, e também na Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Salvador. Repórter no portal Bahia Econômica. Atualmente, repórter de Cultura no portal bahia.ba. DRT: 7543/BA

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