Publicado em 17/04/2026 às 08h57.

Com participações de cantoras baianas, Anitta lança álbum confessional ‘EQUILIBRIVM’

Projeto traz reflexões sobre espiritualidade, amor, fé e empoderamento feminino

Carolina Papa
Foto: Mar+Vin/divulgação/assessoria

 

Articulando referências entre o humano e o sagrado, a cantora Anitta apresenta ao público o seu oitavo álbum da carreira intitulado “EQUILIBRIVM”. O novo trabalho da carioca, lançado na quinta-feira (16), apresenta-se como o projeto mais “confessional” da carreira da artista.

O projeto traz reflexões sobre espiritualidade, amor, fé e empoderamento feminino, ao mesmo tempo em que explora sonoridades diversas da música brasileira e suas festas. No álbum, Anitta apresenta canções “que vêm de dentro para fora”, resultado de um processo de autoconhecimento que a cantora viveu em meados de 2022 após ter problemas de saúde associados ao excesso de trabalho.

Neste novo momento da carreira, Anitta quer levar as pessoas que escutam o disco a refletirem sobre o equilíbrio entre corpo, mente e alma, mas sem abrir mão da ótica pop que se tornou sua marca.

“É um álbum com intenções muito claras, mas muito sutil em tudo. Não estou cantando exatamente sobre religiões ou dogmas, mas sobre amor, cura e cultura brasileira. Mais do que falar sobre os orixás, os santos ou outras figuras religiosas, quero falar sobre os fundamentos que eles nos trazem”, explica a poderosa.

O disco conta com participações de Shakira, Liniker, Marina Sena, Luedji Luna, Ebony, Papatinho, Rincon Sapiência, King Saints, Melly, Os Garotin, Los Brasileros, Ponto de Equilíbrio e Emanazul.

Foto: Divulgação/assessoria

 

ESPAÇO DE CURA 

“EQUILIBRIVM” foi gravado quase inteiramente no estúdio musical da casa de Anitta, no Rio de Janeiro. A cantora, que voltou a morar no Brasil nos últimos anos para estar perto da família, considera que essa mudança foi decisiva para o processo de autoconhecimento que se reflete no disco.

O retorno de Anitta ao Brasil é influência direta nas sonoridades e referências que habitam “EQUILIBRIVM”. O álbum percorre diversas camadas da música brasileira, passando por MPB, samba, bossa nova e funk carioca, enquanto dialoga com reggae, afrobeat e ritmos latinos. Utiliza ainda samples de samba de roda e pontos de religiões de matriz africana, dialogando com funk e rap.

A inaugural “Desgraça” abre o disco com uma referência inesperada: Carmen Miranda. Fã declarada da ícone brasileira, Anitta começa a faixa com um chorinho em estilo anos 40, com filtro sonoro antigo aplicado justamente para evocar essa homenagem.

Foto: Caia Ramalho/assessoria

 

INFLUÊNCIAS DA BAHIA 

EQUILIBRIVM conta com a participação das cantoras baiana Melly e Luedji Luna. Para a construção do álbum, Anitta promoveu campings criativos, transformando a sua casa em um ambiente de trocas artísticas, de liberdade criativa, o que resultou em um encontro da artista com a cantora e compositora soteropolitana Melly, que trabalhou em duas músicas para o álbum: “Ternura” e “Casos de Amor”.

“Estivemos em estúdio, trocamos muito sobre a vida, o momento que ela estava”, relembrou a artista.

Já a parceria com Luedji Luna ocorre na faixa “Bemba”, inspirada na cultura afro-brasileira. Na música, as cantoras artistas celebram a cultura e os costumes da Bahia, estado considerado berço e território de resistência de crenças como a umbanda e o candomblé.

“Esse momento da carreira da Anitta é muito importante para um Brasil com um racismo religioso tão grande. Esse trabalho é continuidade de várias gerações que ergueram a bandeira das religiões de matrizes africanas. Mas que, com Anitta, sendo uma artista de projeção internacional, ganha mais impacto. É uma honra fazer parte dessa história, numa canção que simboliza a Bahia e tudo que ela representa”, comemorou a vencedora do Grammy Latino.

Foto: Jhuan Martins/divulgação

 

BRASIL X COLÔMBIA 

Uma das grandes surpresas do novo álbum foi o anúncio de “Choka Choka”, em parceria com Shakira. A faixa une funk com samba em versos em português e espanhol e carrega uma camada de significado que vai além do encontro entre as duas maiores artistas latinas do momento. A ideia de Anitta era trazer ao álbum uma referência aos povos indígenas, a partir da energia da cabocla, entidade que, segundo ela, “traz ensinamentos sobre a convivência entre o ser humano e a natureza”.

“O conceito principal dos visuais desse álbum era trazer fé e festa. O nosso país celebra muito a fé e a festa juntos. E o Quarup representa exatamente isso”, explica a cantora.

A chegada de Shakira ao projeto foi uma surpresa de última hora e a cantora colombiana se dedicou a entender a cultura antes de gravar.

“Ela não queria cantar sobre isso sem saber bastante. E ela já veio sabendo bastante. Mas quis saber ainda mais”, conta Anitta.

Carolina Papa
Jornalista. Repórter de política, mas escreve também sobre outras editorias, como cultura e cidade. É apaixonada por entretenimento, música e cultura pop. Na vida profissional, tem experiência nas áreas de assessoria de comunicação, redação e social media.

Mais notícias

Este site armazena cookies para coletar informações e melhorar sua experiência de navegação. Settings ou consulte nossa política.