Publicado em 18/04/2026 às 17h01.

Governo dos EUA investiga prisão de Ramagem e levanta dúvidas sobre cooperação

Ex-deputado brasileiro foi detido por agentes de imigração e liberado dias depois após pressão política

Redação
Foto: Aaron Schwartz/Getty Images | Bruno Spada/Câmara dos Deputados

 

O governo dos Estados Unidos abriu uma apuração interna para esclarecer a prisão do ex-deputado brasileiro Alexandre Ramagem por agentes do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas. O caso ocorreu recentemente e gerou questionamentos dentro da própria gestão norte-americana.

De acordo com informações divulgadas pela BBC News Brasil, integrantes do governo do ex-presidente Donald Trump não teriam interesse na detenção de Ramagem. O brasileiro acabou sendo liberado dois dias depois, após articulações de aliados junto à Casa Branca.

Além da prisão em si, autoridades dos EUA buscam entender como ocorreu a cooperação entre órgãos americanos e a Polícia Federal, mencionada oficialmente pelo Brasil no dia da detenção. Há dúvidas sobre se altos escalões do ICE, do Departamento de Segurança Interna e do Departamento de Estado tinham conhecimento prévio dessa articulação.

Outro ponto investigado é se a ação teria sido conduzida por níveis inferiores da gestão, sem alinhamento com a cúpula do governo.

Condenação

Ramagem foi condenado a 16 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal por envolvimento em tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022, processo que também atingiu o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência durante o governo Bolsonaro, Ramagem chegou a ser eleito deputado federal, mas teve o mandato cassado após a decisão judicial.

Nos bastidores, o governo americano também avalia se a prisão poderia estar relacionada a uma tentativa do Brasil de contornar o Departamento de Estado dos Estados Unidos, responsável por autorizar processos de extradição. A pasta é comandada por Marco Rubio, que já manifestou críticas ao julgamento envolvendo Bolsonaro e aliados.

O caso ocorre em meio a dificuldades enfrentadas por autoridades brasileiras para conseguir a extradição de investigados ligados aos atos golpistas de 8 de janeiro que estão em território norte-americano.

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