Publicado em 19/04/2026 às 13h40.

Documentário com foco na cultura indígena é selecionado para mostra internacional em Madri

Projeto foi realizado com apoio financeiro do Governo da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura do Estado (SecultBA), via Edital Paulo Gustavo Bahia (PGBA)

Redação
Foto: Divulgação/govba

 

O processo de revitalização da língua Patxohã, protagonizado pelo povo Pataxó da região de Porto Seguro, no sul da Bahia, ganhou visibilidade internacional. O documentário baiano Vozes de Pindorama foi selecionado para a Mostra Curta Espanha, que acontece entre os dias 28 e 30 de maio, em Madri.

Dirigido pelo cineasta Fernando Freire, o filme foi realizado com apoio financeiro do Governo da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura do Estado (SecultBA), via Edital Paulo Gustavo Bahia (PGBA), e destaca a diversidade linguística originária do Brasil a partir de uma narrativa construída no território.

Partindo de uma realidade local para dialogar com um debate global, a obra se conecta à Década Internacional das Línguas Indígenas (2022–2032), proposta pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).

O documentário apresenta o Brasil como uma “Terra das Mil Línguas”, em um resgate da complexidade e riqueza dos idiomas originários. Ao acompanhar o esforço de revitalização do Patxohã, a obra evidencia um movimento de resistência cultural que se recusa a desaparecer.

“Escrevi o roteiro motivado pela necessidade urgente de registrar o processo de revitalização de uma língua nativa, em risco de extinção, e, ao mesmo tempo, contar a história fascinante das centenas de línguas originais de Pindorama. Na Terra das Mil Línguas, que o mundo chamou de Brasil, surgiu uma das maiores diversidades de idiomas do planeta e esse patrimônio se recusa a silenciar”, conta o diretor.

PARTICIPAÇÃO INDÍGENA – A construção do filme contou com a participação direta da comunidade da Reserva da Jaqueira, como forma de garantir a autenticidade e compromisso com os saberes locais. O protagonista mirim, Wêkanayhã, de 12 anos, foi escolhido pela própria comunidade, e as legendas em Ptxohã foram elaboradas por professores da escola indígena da reserva da Jaqueira.

“A participação direta da comunidade indígena foi essencial para garantir a autenticidade e integridade cultural do documentário”, destaca Fernando Freire. O diretor ressalta ainda que a presença do cacique Syratã no filme “traz autoridade e sabedoria ancestral para a tela”, fortalecendo a dimensão cultural e simbólica da narrativa.

ALCANCE INTERNACIONAL – Após circular por festivais em diferentes estados brasileiros, como Bahia, São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Santa Catarina, o documentário amplia seu alcance no exterior. A trajetória inclui exibições em mostras nacionais e premiações como Melhor Filme e Melhor Roteiro, consolidando a obra como um documento relevante sobre identidade e memória no Brasil.

“O recente reconhecimento no Curta Espanha mostra que o filme tem alcance universal e reafirma a força do audiovisual baiano no exterior. O público, tanto no Brasil quanto no exterior, será desafiado a fazer uma viagem surpreendente pelo universo fascinante da Terra das Mil Línguas, posicionando o cinema baiano na vanguarda da preservação do patrimônio imaterial da humanidade”.

Para o diretor, o impacto da obra também evidencia a importância das políticas públicas de fomento à cultura, especialmente no fortalecimento de produções independentes e comprometidas com a preservação de patrimônios culturais. “Sem o apoio financeiro da Lei Paulo Gustavo não seria possível remunerar equipe técnica, alugar equipamentos, contratar assessoria de professores de línguas, alugar estúdio para editar e fazer a montagem do filme”.

PGBA – O Paulo Gustavo Bahia (PGBA) é uma ação do Governo da Bahia, executada pela SecultBA, que operacionaliza no estado os recursos da Lei Paulo Gustavo (LPG), do Ministério da Cultura (MinC).

A iniciativa contempla projetos culturais nos 27 territórios de identidade da Bahia, abrangendo o audiovisual e outras linguagens artísticas.

O programa integra ações emergenciais voltadas ao setor cultural, em resposta aos impactos da pandemia, e posiciona a Bahia entre os primeiros estados do país a aprovar seu plano de execução e acessar os recursos federais, consolidando o maior volume de investimento em políticas culturais no estado.

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