‘Divino Intelectual’: Carla Akotirene defende união entre ancestralidade e literatura
A doutora em Estudos Feministas pela UFBA foi uma das participantes do painel "Afeto e resiliência nas relações" no último dia da Bienal do Livro 2026

A doutora em Estudos Feministas pela UFBA e consultora em políticas públicas, Carla Akotirene, defendeu a indissociabilidade entre literatura e ancestralidade durante a Bienal do Livro 2026.
Akotirene foi uma das participantes do painel “Afeto e resiliência nas relações”, que ocorreu nesta terça-feira (21) – último dia da Bienal do Livro 2026. O momento foi mediado pela jornalista Val Benvido e também contou com a presença do filósofo e escritor, Renato Nogueira.
Em entrevista do Bahia.ba, a pesquisadora de antirracismo e feminismos negros afirmou que a literatura e a ancestralidade andam juntas. “Eu trabalho a partir de um conceito que já está bastante difundido do ponto de vista acadêmico, literário, que é o conceito de interseccionalidade. A interseccionalidade, Carol, tá falando de encruzilhada. Quando você olha para a encruzilhada, você percebe que não é possível a gente separar as avenidas. Dessa forma, a gente não pode colocar ancestralidade num lugar diferente que seja a literatura”, explicou Carla Akotirene. “É um divino também intelectual, que é a nossa cabeça que produz e nós, as formas de escrever, sentir e resistir”.
A acadêmica também contou que ela própria, no seu processo de escrita, convoca o patrimônio das literaturas iorubá e banto e das filosofias de terreiro para criar e mostrar o encontro das resistências femininas.
Para Carla Akotirene, o espaço da Bienal do Livro é, também, um local para que mulheres negras e indígenas se reposicionem intelectualmente. “A gente consegue, descredenciar a Europa, o Ocidente e aqueles cânones tão racistas, né, que apagaram a nossa literatura, a partir do momento que a gente anuncia a nossa ancestralidade, a nossa forma de dizer no mundo e se comportar como corpos literários”.
Mesmo reconhecendo a importância, a escritora também ponderou que é necessário mais cuidado para não hipervalorizar autores de fora em detrimento de artistas nacionais e iniciantes.
“Chamo de ética do cuidado, que é um princípio epistemológico do paradigma africano, inclusive. paradigma da afrocentricidade que faz parte da chave discursiva do feminismo negro. Então a gente precisa ter cuidado com as autorias dos outros que muitas vezes não têm uma capacidade de circulação, não tem uma identidade comercial, mas se a gente abrir a porta, assim como a comunidade de terreiro faz, para quem tá chegando agora […] É isso que é importante para nós. A gente não se colocar como muito especial no que diz respeito a quem já está no mercado literário, mas a gente entender que as oportunidades dadas a quem tá chegando também vai fazer com que o nosso barco de resistência possa criar estratégias de atravessar o horizonte”, concluiu.
“Não existe um feminismo universal”
Durante a entrevista, o Bahia.ba perguntou sobre o aspecto racial dentro do feminismo e Carla Akotirene destacou “não existe um feminismo universal”.
“Quando a gente fala de universalidade, a gente tá pegando a norma que é branca, eurocêntrica, referenciada, principalmente pela Europa Ocidental e os Estados Unidos. Agora, quando a gente fala em feminismos e, principalmente, feminismo negro, a gente tá falando de um projeto intelectual que quer o bem-viver para as mulheres de maneira geral, mas entende que os homens negros são os nossos parceiros que estão suscetíveis às violências sistêmicas, policiais, a formas de encarceramento, quando não uma desautorização no que diz respeito à convivência em liberdade”, comentou a doutora em Estudos Feministas.
Akotirene explicou que o feminismo negro é um projeto intelectual contra a colonialidade, o que afeta mulheres e negros de maneira geral. Neste contexto, as mulheres negras são aquelas que estão próximas do debate feminista global – que defende o fim do feminicídio e abusos no ambiente doméstico – e do debate racial – que busca entender como mulher e homens negros podem ser prejudicados por uma perspectiva eurocêntrica e levados a aspectos como encarceramento em massa e outras violências.
Mais notícias
-
Entretenimento19h14 de 15/06/2026
Luana Piovani reage à foto de jogador nigeriano: “jesus”; veja
Atriz comentou e elogiou a beleza do atleta
-
Entretenimento17h02 de 15/06/2026
Salvador tem melhor fluidez no trânsito do Nordeste, aponta estudo internacional
Levantamento foi feito em quase 500 cidades pelo mundo
-
Show16h13 de 15/06/2026
Com ingressos esgotados, Climinha de São João recebe show de João Gomes
Projeto ‘Pé de Serrita’ embalou o público na noite deste domingo (14), no Shopping da Bahia
-
Entretenimento15h33 de 15/06/2026
Ivete anuncia o Bloco Coruja 2027; saiba como participar
O bloco desfilará no Circuito Barra-Ondina do carnaval de Salvador
-
Show15h08 de 15/06/2026
Festival traz Ana Carolina, Alceu Valença e Luiz Caldas à Praia do Forte
Evento acontece entre os dias 4 e 6 de setembro e reúne grandes nomes da música brasileira
-
Cultura14h45 de 15/06/2026
Varanda de Michael Jackson no Pelourinho ganha novo totem
Estrutura substitui antiga peça desgastada e preserva um dos pontos turísticos mais visitados
-
Famosos13h51 de 15/06/2026
Virginia Fonseca desconversa sobre volta com Vini Jr. após ganhar buquê no Dia dos Namorados
"Não entendi nada também", disse a influenciadora sobre o presente
-
São João 202613h36 de 15/06/2026
Arraiá da Prefs segue com shows, cortejos e forró no Centro Histórico
Festa conta com atrações gratuitas espalhadas entre a Rua Chile e a Praça Municipal
-
Música12h58 de 15/06/2026
Guigga aposta no romantismo do forró em single de primeiro álbum solo
Música revisita as raízes do artista no forró e presta homenagem às sonoridades que marcaram o gênero no Nordeste
-
Música12h03 de 15/06/2026
Kehlani é confirmada no AFROPUNK Brasil 2026 em Salvador
Artista norte-americana se apresenta pela primeira vez na capital baiana após mobilização dos fãs










