Publicado em 29/04/2026 às 10h23.

‘O Diabo Veste Prada 2’ peca em reciclar roteiro, mas consegue surpreender

Filme chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (30)

Carolina Papa
Foto: Divulgação

 

A sequência de um dos clássicos dos anos 2000, O Diabo Veste Prada 2 chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (30). O novo filme aposta na nostalgia para se conectar com o público, mas cai na mesmice ao retratar os mesmos dilemas apresentados há duas décadas, no entanto consegue surpreender em muitos momentos.  

Andy Sachs e (novamente) o drama profissional

Logo de início, o filme traz uma maiores dúvidas para quem assistiu ao primeiro filme: Qual rumo a carreira da adorável Andrea ‘Andy’ Sachs, interpretada por Anne Hathaway, tomou após a passagem conturbada (e também amadurecedora) na icônica Revista Runway? Bem, a resposta pode não ser animadora.

Vinte anos depois e com uma carreira de sucesso no jornalismo com inúmeros prêmios e bagagem profissional, Andy Sachs vê a necessidade de retornar à Runway para salvar o pescoço do desemprego. O novo roteiro bebe da mesma fonte do anterior, soando repetitivo e até mesmo incoerente.

Outro ponto negativo é a necessidade que Andy apresenta a todo instante pela aprovação de Miranda Priestly, interpretada por Meryl Streep, essa conquistada há vinte anos. A personagem parece ter regressado, retornando à estaca zero e contradizendo a sua própria trajetória. 

Foto: Divulgação

Glamour, mas nem tanto 

Um dos temas centrais de O Diabo Veste Prada eram os figurinos incríveis de grifes renomadas que se tornaram “palpáveis” com a mudança radical de estilo de Andy Sachs. Desta vez, a moda parece não ser algo tão central como no primeiro filme, não possuindo o mesmo glamour e destaque. 

Foto: Divulgação

Miranda Priestly mudou (e que bom) 

O filme também possui pontos muito positivos. O roteiro ao mesmo tempo que volta ao passado consegue trazer de forma muito didática as mudanças sofridas no mercado editorial. Se antes a Runway vivia a era de ouro, agora, vemos como a revista consegue se manter diante dos novos hábitos de consumo, que atingem diretamente a editora-chefe, Mirando Priestly, o que faz todo o sentido. 

Nesta versão, temos uma Miranda menos imponente que antes, agarrando-se ao que foi no passado, mas que consegue se adaptar aos impactos negativos sofridos na revista. Agora, a “dama de ferro” não é a última a dar a palavra, sendo até confrontada ao apresentar algumas resistências à modernização. 

A reviravolta que o filme traz também é muito bem construída, mesmo que peque em trazer Andy Sachs como uma subserviente de Miranda e não o tratamento de “igual para igual”, o que faria muito mais sentido. 

Foto: Divulgação

Trilha Sonora

Vale uma menção honrosa à trilha sonora de O Diabo Veste Prada. Se, em 2006, o destaque ficou com a icônica “Vogue”, de Madonna, desta vez quem assume o protagonismo é a faixa “RUNWAY”, interpretada por Lady Gaga em parceria com a rapper Doechii.

A música não alcança o mesmo impacto de um dos maiores sucessos da carreira de Madonna, mas ainda assim encontra seu espaço e cumpre bem o papel dentro do filme. A trilha sonora inclui também canções de U2, Alanis Morissette, SZA e Olivia Dean.

Foto: Divulgação

Nostalgia

“O Diabo Veste Prada 2” é um filme que vai agradar, principalmente, fãs que buscam a nostalgia que a nova versão oferece, mas, para aqueles que querem ter um olhar mais crítico, o longa pode não agradar tanto, mas não deixará de ser um filme divertido e envolvente para se assistir.  

Carolina Papa
Jornalista. Repórter de política, mas escreve também sobre outras editorias, como cultura e cidade. É apaixonada por entretenimento, música e cultura pop. Na vida profissional, tem experiência nas áreas de assessoria de comunicação, redação e social media.

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