Publicado em 01/05/2026 às 19h53.

Otto Alencar: rejeição de Messias ao STF foi injusta e motivada por política

"Não vou patrulhar quem votou contra ou a favor, não pedi voto a ninguém", afirmou o senador

Neison Cerqueira
Foto: Reprodução/X

 

O senador Otto Alencar (PSD) comentou nesta sexta-feira (1º) a repercussão de uma postagem feita por ele na rede social X (Twitter) sobre a rejeição do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF). No post, o parlamentar afirmou que o resultado da votação evidenciou limites na influência de lideranças religiosas dentro do Congresso Nacional.

Em entrevista exclusiva ao portal bahia.ba, Otto afirmou que o comentário teve tom de brincadeira e negou que esteja associando diretamente o resultado da votação à atuação de religiosos nos bastidores.

“Tinha um bocado de pastor, bispo, pedindo voto. Não estou relacionando a perda por conta disso. Ninguém tira o humor, não vou fazer caça às bruxas. A política, há muito tempo, perdeu o bom humor, é só raiva”, declarou o senador. “Não vou patrulhar quem votou contra ou a favor, não pedi voto a ninguém”, acrescentou.

O nome de Messias acabou rejeitado pela maioria dos senadores. Para Otto, parte significativa da Casa defendia a indicação do senador Rodrigo Pacheco (PSD), o que, segundo ele, pesou no resultado final. “Injusto, para mim. O momento é político. Lamentavelmente foi uma coisa injusta, ao meu ver. Messias seria um grande ministro”, afirmou, ao elogiar a trajetória profissional do advogado-geral da União.

Durante a entrevista, o parlamentar também criticou o ambiente de radicalização na política brasileira. “A política não deve ser feita por agressão. Quando [o ex-presidente] Jair Bolsonaro indicou André Mendonça e Kassio Nunes Marques, eu aprovei e encaminhei votos aos dois […] os caras vivem como se a política pode ser feita com agressão. Quando ele indicou quem tinha condição, eu votei a favor”, disse.

Na avaliação de Otto, a rejeição do nome de Messias também representou uma reação política ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), responsável pela indicação. “Foi uma escolha de Lula. É um direito dele. Não é uma atribuição de Davi Alcolumbre, presidente do Senado”, afirmou.

O senador ainda avaliou que o processo acabou transformando o advogado-geral da União em alvo de disputas políticas. “Fizeram de Messias uma vítima, que deveria ser de julgamento de currículo, passou a ser um processo de vingança contra ele e contra o presidente Lula”, disse.

Otto também mencionou a circulação de desinformação nas redes sociais durante o período que antecedeu a votação. “Nesse período para ser anunciado, levantaram centenas de fake news [contra Messias]. A rede social hoje condena mais que um juiz. Acho que foi injusto e lamento. Messias é filho da base da sociedade. Foi estudar em escola e universidade públicas, passou em todos os concursos. Não julgaram o currículo, julgaram a posição do presidente Lula. Ele pagou um custo muito alto. Interromperam o sonho dele. Não interrompi o sonho do André Mendonça e nem Nunes Marques”, concluiu.

Neison Cerqueira
Jornalista, com atuação na área de política e apaixonado por futebol. Foi coordenador de conteúdo do site Radar da Bahia, repórter do portal Primeiro Segundo e colunista em ambos os veículos. Atuou como repórter na Superintendência de Comunicação da Prefeitura Municipal de Lauro de Freitas e, atualmente, cobre política no portal bahia.ba.

Mais notícias

Este site armazena cookies para coletar informações e melhorar sua experiência de navegação. Settings ou consulte nossa política.