Publicado em 04/05/2026 às 11h45.

Shakira não precisa provar mais nada e isso incomoda

Cantora latina foi a grande atração do Todo Mundo no Rio 2026

Carolina Papa
Foto: Reprodução/Instagram

 

A cantora Shakira foi a escolhida da vez para o Todo Mundo no Rio da edição de 2026. No sábado (2), a artista trouxe pela terceira vez ao Brasil a turnê Las Mujeres Ya No Lloran para comemorar os seus 30 anos de carreira em um show histórico nas areias de Copacabana.

Classificar Shakira como “Rainha do Pop Latino” é, de fato, muito pouco para descrever a artista que há três décadas atravessa gerações com músicas que trazem uma mistura de ritmos entre pop, pop rock, reggaeton, além da forte influência árabe em suas canções. 

Mesmo diante um momento delicado às vésperas de realizar a maior apresentação da carreira devido a uma complicação no quadro de saúde do pai, Shakira conseguiu driblar a situação entregando um show autêntico.

Sucesso sem desculpas 

O anúncio de Shakira no Todo Mundo no Rio causou incômodo após nomes como Madonna e Lady Gaga se apresentarem no evento. Havia dúvidas se a artista latina conseguiria o mesmo prestígio alcançado por suas antecessoras. O show realizado no sábado mostrou o porquê de Shakira ser a potência que é, principalmente, em solo brasileiro. 

De acordo com dados da Empresa de Turismo do Município do Rio de Janeiro (Riotur), a colombiana reuniu duas milhões de pessoas em Copacabana, conquistando a segunda posição de maior público de uma artista feminina em apresentações já realizadas em uma das praias mais famosas e icônicas do mundo. 

Foto: Reprodução/Riotur

 

Chorar já não é mais o suficiente 

A turnê Las Mujeres Ya No Lloran apresenta ao público os bastidores por trás de um dos acontecimentos mais polêmicos da vida de Shakira: o término do casamento com Piqué após a descoberta de uma traição. 

No disco, lançado em 2024, Shakira destrincha nas faixas o processo de desgaste do relacionamento, a separação e de como precisou se adaptar à nova realidade: uma mulher ferida e com dois filhos. 

Com 17 músicas, o álbum traz músicas como Última, Te Felicito (em parceria com Raul Alejandro), Monotonía (em parceria com Ozuna), TQG (em parceria com Karol G), Acróstico em que divide os vocais com os filhos Milan e Sasha e o seu último hit SHAKIRA || BZRP Music Sessions #53/66, esse com referências diretas à Pique e a ex-amante do craque, Clara Chía. 

Celebração ao feminino

Shakira dedicou o show histórico a Copacabana às mulheres. Durante o evento, a cantora fez questão de destacar a importância resiliência das mulheres diante as adversidades da vida, exaltando a força feminina coletiva ao citar a frase “Uma mulher sozinha é muito vulnerável. Uma mulher acompanhada de outras mulheres é invencível” da autora chilena Isabel Allende. 

Foto: Reprodução/Instagram

 

Músicas atemporais 

A setlist escolhida por Shakira para o megashow causou incômodo para aqueles que não conhecem a discografia da cantora. 

No repertório, Shakira conseguiu condensar grande parte da sua trajetória desde Pies Descalzos, álbum lançado na década de 1990 responsável por alçar a colombiana ao reconhecimento internacional, até o Las Mujeres Ya No Lloran, que dá nome à turnê. 

A música de abertura escolhida “La Fuerte” dá todo o tom que estaria por vir até o fim da apresentação. A canção expõe a fragilidade de uma mulher que acreditou fielmente que o casamento não “teria prazo de validade”.

A letra da música apresenta a dualidade entre o amor e a dor sobre alguém que lhe provocou o mal. Shakira se descreve como uma “loba enjaulada” que finge ser forte, mas que está disposta a se reencontrar com o ex-marido após a descoberta da infidelidade.

Durante a apresentação, Shakira trouxe para o público brasileiro a maioria dos sucessos que colecionou ao longo dos anos entre Estoy Aqui, Don’t Bother, La Tortura, Ojos Así, Antologia, Hips Don’t Lie e Whenever e Wherever. 

Não faltaram também músicas de eras mais atuais como Girl Like Me” (Black Eyed Peas), Chantaje, Loca, Empire e Can’t Remember to Forget You, a última muito pedida pelo público brasileiro. 

Em um show como esse, escolhas são necessárias como a retirada e a inclusão de algumas músicas, mas é impossível negar que “Gypsy”, Did it Again, Give It Up To Me e Beautiful Liar fizeram falta e poderiam enriquecer ainda mais o repertório. 

Um dos momentos mais memoráveis da cantora no palco foi com o hit massivo “Waka Waka”, lançado em 2010 para a Copa do Mundo na África do Sul. Shakira sempre fez questão de demonstrar o seu amor pelo Brasil e, para um momento tão marcante como esse, a cantora escolheu um traje com as cores do país. 

Foto: Reprodução/Instagram

 

A Bahia tem o molho

Além de uma forte relação com o Brasil, Shakira se conecta com a Bahia através de Caetano Veloso, com quem apresentou o clássico “Leãozinho” em Copacabana. Desde a década de 1990, Shakira mostra a sua admiração pela música popular brasileira, destacando que Caetano como uma de suas inspirações na música. 

Para completar o time baiano em terras cariocas, subiram também ao palco para participações a cantora Maria Bethânia que embalou o público com a sua voz potente em “O Que É O Que É” e Ivete Sangalo com “País Tropical”, trazendo à Copacabana a atmosfera do Carnaval de Salvador. 

Anitta também marcou presença. A carioca e Shakira apresentaram pela primeira vez a música “Choka Choka”, canção lançada no último álbum de Anitta “EQUILIBRIVM”. 

Foto: Reprodução/Instagram

 

Mulheres faturam

O tom final da apresentação pode ser descrito como eletrizante, trazendo a mensagem de empoderamento que Shakira tanto prega. A cantora iniciou o último bloco com She Wolf, canção que lhe deu o título de “Loba”, colocando no palco a sua sensualidade e poder de encanto com uma voz inconfundível. 

O palco se transformou também uma verdadeira pista de dança ao som de SHAKIRA || BZRP Music Sessions #53/66, finalizando a apresentação com um recado claro: “as mulheres não choram mais, as mulheres faturam”.

Concebida em meio a dor, a turnê Las Mujeres Ya No Lloran se tornou a tour mais lucrativa da carreira de Shakira a turnê latina de maior bilheteria da história com receita de mais de R$ 2,1 bilhões. 

 

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Carolina Papa
Jornalista. Repórter de política, mas escreve também sobre outras editorias, como cultura e cidade. É apaixonada por entretenimento, música e cultura pop. Na vida profissional, tem experiência nas áreas de assessoria de comunicação, redação e social media.

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