Publicado em 13/05/2026 às 18h25.

Wagner rebate Flávio Bolsonaro, cita reportagem e atribui origem do caso Master ao governo anterior

"O trambique foi feito aqui, aos olhos do Banco Central, sob a presidência do senhor Roberto Campos Neto", afirmou o senador

Redação
Foto: Carlos Moura/Agência Senado

 

Em discurso no plenário do Senado nesta quarta-feira (13), o senador Jaques Wagner afirmou que a tentativa de Flávio Bolsonaro de atribuir à Bahia a responsabilidade pelo escândalo envolvendo o Banco Master distorce os fatos e ignora a origem do caso no governo federal anterior.

Segundo Wagner, o problema que resultou em um rombo de R$ 47 bilhões no Fundo Garantidor de Crédito (FGC) teria sido gestado durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, com falhas de fiscalização por parte do Banco Central à época comandado por Roberto Campos Neto.

“O trambique foi feito aqui, aos olhos do Banco Central, sob a presidência do senhor Roberto Campos Neto. A gênese está no governo de Jair Messias Bolsonaro, não na Bahia”, disse o senador.

A fala ocorre em meio à troca de acusações entre governistas e oposicionistas sobre o caso. Wagner afirmou ter apresentado o que chamou de “Real News” para confrontar versões divulgadas por adversários políticos.

Reportagem amplia disputa

O senador também mencionou reportagem do Intercept Brasil que, segundo ele, enfraquece a narrativa de Flávio Bolsonaro. O texto aponta que o parlamentar teria articulado uma negociação de R$ 134 milhões com o banqueiro Daniel Vorcaro para financiar a cinebiografia de seu pai, intitulada “Dark Horse”.

De acordo com a publicação, ao menos R$ 61 milhões teriam sido transferidos para a produção, com registros de cobranças feitas por Flávio para a liberação de recursos.

“Deus é generoso comigo. No dia em que decido fazer essa fala, é veiculada a reportagem sobre o diálogo profícuo entre o senador Flávio e o ‘senhor’ Vorcaro”, afirmou Wagner.

Participação da Bahia

O petista disse ainda que a atuação do governo baiano no caso se restringe à privatização da rede Cesta do Povo, medida que, segundo ele, teve caráter administrativo para conter prejuízos.

“Fizemos o que os liberais pregam: privatizamos uma rede estatal que era uma excrescência. Ali se encerra nossa participação”, declarou.

Crítica a adversários

Na parte final do discurso, Wagner criticou o que chamou de postura de parlamentares que se apresentam como “arautos da honestidade” e defendeu sua trajetória política.

“Eu não sou mais honesto que ninguém, mas tenho meu código de ética. Não tenho sequer CNPJ. Na Bahia não nasceu nenhum trambique. O escândalo nasceu no governo anterior, quando o Banco Central, que deveria fiscalizar, não fiscalizou e permitiu que se fizesse talvez o maior rombo da história bancária deste país”, afirmou.

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