Publicado em 22/05/2026 às 14h27.

Vitor Araújo lança disco e projeta música instrumental brasileira para o exterior

Projeto audiovisual marca a estreia do músico como solista de uma orquestra sinfônica internacional

João Lucas Dantas
Foto: Manoel Borba/ Divulgação

 

O pianista e compositor recifense Vitor Araújo lança no Brasil, pelo selo RISCO, o álbum audiovisual TORÓ, registrado ao vivo em Amsterdã ao lado da Metropole Orkest — mais importante orquestra sinfônica permanente dedicada ao jazz, pop e world music da Europa. O projeto, que também ganha versão em filme-concerto, chega cercado por forte repercussão internacional e posiciona Araújo como um dos nomes mais instigantes da nova música instrumental brasileira.

A recepção da imprensa europeia reforça o alcance do trabalho. A revista italiana Musica Jazz dedicou quatro páginas ao artista, classificando-o como “uma das mais interessantes personalidades a emergir nos últimos tempos”. Já a britânica Songlines Magazine destacou sua “criatividade incandescente”, aproximando-o da linhagem de Heitor Villa-Lobos, enquanto a alemã Le Groove ressaltou que “quando se pensar em música inovadora que arrebata, Vitor Araújo é o nome que deve vir à mente”.

Sob regência do maestro Jacomo Bairos, TORÓ foi apresentado em noite única no Holland Festival. Como solista e compositor à frente da Metropole, Araújo passa a integrar um seleto grupo de artistas que já colaboraram com a orquestra, entre eles Ella Fitzgerald, Brian Eno, Jacob Collier e o coletivo Snarky Puppy. Vencedora de quatro Grammys e com mais de 20 indicações ao prêmio, a Metropole Orkest produziu álbuns anteriormente com dois outros artistas brasileiros: Edu Lobo e Ivan Lins.

O projeto reúne ainda um elenco de músicos brasileiros de diferentes gerações e trajetórias formando a banda de apoio de Vitor. Destaque para a presença de Mauro Refosco: diretor musical de David Byrne, o catarinense radicado em Nova York já realizou turnês como músico do Red Hot Chili Peppers e é criador da banda Atoms For Peace, junto a Thom Yorke e Flea. Aduni Guedes, Amendoim, Felipe Pacheco Ventura e Charles Tixier completam o time de TORÓ e juntos constroem uma tessitura que articula a percussividade nordestina e elementos eletrônicos em diálogo direto com a potência sinfônica europeia e a escrita orquestral contemporânea.

TORÓ nasce de um desejo de atravessar fronteiras sem perder a raiz. É a chuva forte que vem do Nordeste, que transforma tudo ao redor e encontra, na orquestra, um outro corpo para expandir essa energia”, afirma Vitor Araújo, que traz consigo dessa realização uma história de cinema: no exato dia do concerto uma agressiva infecção no dedo anelar quase levou ao cancelamento da apresentação pela junta médica do Holland Festival. Ao invés disso, o pianista decidiu subir no palco contra todas as indicações e durante uma tarde re-escreveu e re-estudou suas partes de piano para tocar à noite com apenas 9 dedos.

A dimensão audiovisual amplia a experiência do álbum. Dirigido por Paulo Camacho e Yara Ktaishe, o filme-concerto traduz em imagens a intensidade da apresentação. Após pré-estreias na Sala São Paulo e no Cinema São Luiz (Recife), a obra está disponível na íntegra nos canais de YouTube do artista e da orquestra.

Veja a gravação completa:

Gravado em Amsterdã, TORÓ propõe uma travessia sonora que consolida o protagonismo da música pernambucana no cenário global. Um trabalho que expande fronteiras e reafirma, em som e imagem, a força de uma criação brasileira em plena circulação internacional.

João Lucas Dantas
Jornalista com experiência na área cultural, com passagem pelo Caderno 2+ do jornal A Tarde, Viva Comunicação Interativa, Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Salvador e portal Bahia Econômica. Atualmente, é repórter de Cultura no bahia.ba. Contato: jlucas9915@gmail.com

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