Publicado em 29/05/2026 às 14h22.

Lula diz que reenviará indicação de Jorge Messias ao STF

A fala ocorreu após vaias da plateia ao senador Laércio Oliveira (PP)

Luana Neiva
Foto: Ricardo Stuckert / PR

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (29) que pretende indicar novamente o advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). A declaração foi feita durante anúncio de investimentos da Petrobras em Sergipe.

Ao comentar a rejeição do nome de Messias pelo Senado Federal, Lula afirmou que a derrota ocorreu por motivos políticos. A articulação contra a indicação teria sido conduzida pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil).

“Eu perdi a indicação do meu ministro da Suprema Corte e eu fiquei triste porque ele não foi derrotado por incompetência jurídica, porque é um dos melhores advogados desse país, ele não foi derrotado porque ele tem alguma ficha suja na vida dele, é um dos homens mais íntegros desse país. Ele foi derrotado por uma questão simplesmente política. E o que vai acontecer, senadores? Eu vou mandar o Messias outra vez”, declarou o presidente.

A fala ocorreu após vaias da plateia ao senador Laércio Oliveira (PP), que participou do evento ao lado de Lula. O presidente repreendeu a reação do público e ressaltou a necessidade de diálogo político para garantir a governabilidade.

Segundo Lula, o PT possui minoria no Congresso Nacional e, por isso, precisa manter interlocução com diferentes partidos, inclusive adversários políticos, para aprovar projetos de interesse do governo federal.

“É preciso não confundir a disputa eleitoral com a governança. Na governança, eu preciso dos amigos, dos meio-amigos e dos inimigos. Quando o projeto é de interesse brasileiro, eu não tenho vergonha de conversar com nenhum político”, afirmou.

Entenda

O Senado rejeitou no dia 29 de abril a indicação de Jorge Messias. Por 42 votos a 34, a Casa Alta derrubou a escolha de Lula e encerrou um impasse que se arrastava havia cinco meses.

A derrota é histórica. Desde 1894, o Senado não rejeitava um nome indicado ao Supremo. Em 132 anos, a Casa havia barrado apenas cinco indicações ao STF todas durante o governo de Floriano Peixoto (1891-1894). O tribunal já teve 172 ministros.

A votação no plenário foi realizada após oito horas de sabatina na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), onde Messias havia sido aprovado por 16 votos a 11. O caráter secreto do escrutínio gerou incerteza até o fim: o governo calculava ter o apoio de 45 senadores, enquanto integrantes da oposição afirmavam contar com ao menos 30 votos contrários.

 

Luana Neiva
Jornalista formada pela Estácio Bahia com experiências profissionais em redações, assessoria de imprensa e produção de rádio. Possui passagens no BNews, iBahia, Secom e Texto&Cia.

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