Publicado em 10/07/2026 às 10h41.

Estudantes do interior da Bahia criam tecnologia para monitorar qualidade do ar

Projeto nasceu da observação dos efeitos do ar na saúde de colegas com problemas respiratórios

Redação
Estudantes do interior da Bahia criam tecnologia para monitorar qualidade do ar e proteger colegas com problemas respiratórios (Foto: divulgação)

 

Estudantes da Escola Municipal Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Uauá, criaram um dispositivo para monitorar a qualidade do ar e ajudar proteger os colegas de problemas respiratórios.

O município de Uauá fica no sertão da Bahia, região de clima semiárido, marcado por altas temperaturas e pela baixa umidade do ar. Esses e outros fatores ambientais impactam diretamente estudantes com questões de saúde como asma, alergias e crises gripais.

Foi a partir dessa observação que Josias, de 14 anos, Artur, de 14, e Vitor Ramon, de 15, então alunos do 9º ano, criaram o Clima Tech. Atualmente, o projeto segue sendo aprimorado pelos estudantes Henrique Ribeiro Leal, de 13 anos, e Ana Cllara Ribeiro dos Santos, de 15, ambos do 8º ano A.  

“Percebemos que alguns alunos passavam mal ou apresentavam mais desconforto em dias muito secos. A partir disso, começamos a pesquisar formas de identificar essas condições e pensamos em criar uma ferramenta simples que pudesse ajudar toda a escola”, explicou o estudante Henrique Ribeiro Leal.

A construção do equipamento envolveu pesquisa bibliográfica, observação do ambiente escolar e testes práticos com componentes eletrônicos, sensores de temperatura e umidade, cabos jumpers, display LCD e LED.

O dispositivo desenvolvido pelos alunos utiliza sensores conectados à plataforma Arduino para medir temperatura e umidade do ambiente. Os dados são exibidos em um display LCD, permitindo que estudantes e professores acompanhem as condições da sala de aula em tempo real.

O diferencial do sistema está em um mecanismo de alerta visual. Sempre que a umidade do ar fica abaixo de 30% ou ultrapassa 70%, um LED é acionado, sinalizando condições que podem favorecer o agravamento de problemas respiratórios. A partir desse aviso, os usuários podem adotar medidas preventivas, como o uso de máscaras ou o afastamento temporário do ambiente.

Para Ana Clara Ribeiro dos Santos, o projeto demonstra como a tecnologia pode ser utilizada para solucionar desafios reais da comunidade escolar. “Foi muito interessante participar de algo que pode ajudar outras pessoas. Aprendemos sobre programação, sensores e eletrônica, mas também entendemos a importância de usar esse conhecimento para cuidar da saúde e do bem-estar dos colegas”, afirma.

Além de monitorar as condições ambientais da sala de aula, o Clima Tech também contribui para ampliar a conscientização sobre a importância da qualidade do ar e seus impactos na saúde. O projeto incentiva estudantes a compreenderem melhor fatores ambientais que influenciam o cotidiano e reforça o papel da escola como espaço de construção de soluções para desafios coletivos.

Segundo a equipe pedagógica da unidade, a experiência fortalece o protagonismo estudantil ao demonstrar que jovens podem atuar diretamente na identificação de problemas e no desenvolvimento de alternativas acessíveis para resolvê-los.

“O Clima Tech nasceu da observação dos próprios estudantes sobre uma situação que afetava o cotidiano escolar. Eles conseguiram transformar essa preocupação em uma solução tecnológica simples, acessível e extremamente relevante para a promoção da saúde. É um exemplo de como a educação pode estimular inovação com propósito social”, destaca a orientadora educacional do laboratório 7.0 do Sistema de Ensino Dulino, Thayza Vieira.

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