‘Nada é permanente, exceto a mudança’
Tudo flui, nada persiste: até o que parece imutável se transforma, o que significa melhorar, piorar ou simplesmente mudar

A tecnologia causou mudanças significativas em nossas vidas, pois ela está presente em praticamente todos os processos da vida do ser humano, não sendo à toa que as redes sociais se tornaram um dos espaços mais propícios para as pessoas terem vez e voz, discutindo assuntos importantes e de interesse público, embora, não raro, tais discussões possam gerar polêmicas, pois, também, são usadas para desabafos contra situações julgadas absurdas ou injustas vivenciadas no dia a dia, em busca de apoio de amigos, familiares e conhecidos.
Nessa lógica, basta uma rápida navegada em nossa linha do tempo ou no feed de notícias para perceber que não só as publicações acerca de temas considerados espinhosos, como política, religião e futebol etc. podem gerar percepções e sentimentos negativos, exigindo muita atenção e tato na hora de realizar postagens e/ou compartilhamentos.
Pouco importa quão corretos os conteúdos das opiniões ou dos comentários possam estar, ainda assim podem ser interpretados como críticas diretas ou indiretas, gerando mal-entendidos ou, o que é pior: a carapuça pode servir em pessoas erradas.
Um exemplo disso foi uma recente postagem que realizei a respeito do aplicativo de transportes Uber, transcrevendo uma mensagem recebida de um amigo, pois, como tudo, instantaneamente, vira debate, não faltaram concordâncias e discordâncias emocionais em relação ao trabalho dos uberistas.
Polêmicas à parte, o fato me levou a pensar com mais profundidade a respeito da profissão de motorista, seja de táxi, de Uber ou de qualquer outro serviço similar, diante da inevitável tendência de uma migração tecnológica para carros autônomos, em um futuro não muito distante.
O ser humano, enquanto reflexo do macrocosmo, faz da sua vida social um ir e vir entre a ordem e o caos. Nesse processo, conflitos entre “o velho” e “o novo” são naturais, pois as inovações tecnológicas nos mostram que dificilmente é possível evitar o progresso. Afinal, os principais responsáveis pelo avanço de novas tecnologias são os usuários, as pessoas que sempre estão interessadas no que é melhor para elas.
Podemos temer o futuro ou
nos preparar para enfrentá-lo
Com isso, não estou querendo dizer que todas as inovações tecnológicas são, por si só, boas para os seres humanos e há diversos exemplos que comprovam isso. Mas, já que o progresso triunfa sempre e os carros autônomos já são uma realidade, mais breve do que imaginamos, eles estarão nas ruas, como um sistema paralelo ou condenando à obsolescência o Uber e o táxi.
Nessa lógica, na onda das tecnologias chamadas disruptivas pelo poder que têm para criar e destruir mercados num curto espaço de tempo, os partidários dos uberistas e taxistas que se digladiaram concordando e discordando com o meu posicionamento, com certeza, além de errarem o alvo, gastaram tempo e energia, pois, como a velocidade das mudanças é constante, dentro de uma ou duas décadas, provavelmente estarão unidos para protestar e lutar contra um “inimigo” comum, muito maior e mais poderoso, frio e calculista: os carros autônomos.
O futuro está aí e é incerto. Podemos temê-lo ou nos preparar para enfrentá-lo e esta será a escolha de cada um. Portanto, não adianta chorar sobre o leite derramado e como nenhum mal acontece sem pelo menos o nosso secreto consentimento, o sucesso do Uber entre nós, não pode ser apenas creditado ao seu baixo custo, pois a questão é mais complexa e nessa equação não podem ficar de fora variáveis como a fragilidade e a indolência de um setor, historicamente, acomodado na zona de conforto dos monopólios.
Está claro que estamos e estaremos vivendo num mundo onde haverá muito mais perguntas do que respostas, pois, tudo que existe está em transformação. Assim como nós, tudo que nos cerca está em constante mudança, porém nem sempre para melhor. Não é sem sentido que, para Heráclito, filósofo nascido em Éfeso por volta de 540 a.C.: “Nada é permanente, exceto a mudança”.
Nessa lógica, tudo flui, nada persiste nem permanece o mesmo e até o que parece imutável se transforma, o que significa melhorar, piorar ou simplesmente mudar. Portanto, para muito além das disputas intestinas entre taxistas e uberistas, na inexorável marcha do tempo, ainda teremos que conviver com muitas transformações. Algumas já estão acontecendo e podemos observar seus efeitos e defeitos. Outras ainda soam como sacrilégios ou delírios, embora já estejam a caminho mirando de longe os seus alvos.
A verdade é que, em meio a tantas evoluções, revoluções e disrupções acontecendo, frequentemente, chegamos a esquecer que o que hoje damos por realidade foi ontem uma miragem dentro da própria imaginação.
Mais notícias
-
Artigos16h56 de 21/05/2026
Como avaliar a confiabilidade de um portal de imóveis
No mercado imobiliário digital, o volume de acessos de um site não é o único fator que importa
-
Artigos10h51 de 06/05/2026
Chorar já não basta: Shakira, TST e julgamento com perspectiva de gênero
Artigo de opinião do advogado trabalhista Carlos Tourinho
-
Artigos16h32 de 02/05/2026
Como os detentores de XRP podem ganhar mais de 10.000 dólares por mês em renda passiva através [...]
A mineração em nuvem da FTMining, um modelo de renda ‘não baseado em negociação’, tem atraído a atenção e o interesse de muitos investidores
-
Artigos13h03 de 29/04/2026
OPINIÃO: Eleição na Bahia será novamente polarizada entre petismo e carlismo
Terceira via não tem força suficiente para influenciar decisivamente no debate público
-
Artigos17h54 de 22/04/2026
Prerrogativas são inegociáveis: o Caso Áricka Cunha e a necessidade de resposta exemplar
Artigo de opinião do advogado criminalista Luiz Augusto Coutinho
-
Artigos11h05 de 21/04/2026
Como os próximos jogos podem recolocar o Bahia na briga de cima do Brasileirão
Com o calendário apertado, a disputa do Brasileirão ganha corpo
-
Artigos08h51 de 16/04/2026
OPINIÃO: Fim da escala 6×1: entre direitos trabalhistas e disputa política
O debate também passa pela pergunta que costuma surgir em medidas de grande impacto social: quem será o "pai da criança"?
-
Artigos09h19 de 14/04/2026
OPINIÃO: Fim da 6×1 preocupa entidades baianas
Artigo escrito pelo empresário Carlos Falcão, fundador do grupo Business Bahia, e publicado originalmente no jornal A Tarde
-
Artigos18h55 de 23/03/2026
O que separa o Bahia competitivo do Bahia realmente convincente
Capaz de reagir e decidir sob pressão, o Bahia campeão estadual também oscila e ainda deixa a impressão de que pode render mais.
-
Artigos08h19 de 23/03/2026
OPINIÃO: Recomprar a Refinaria de Mataripe é defender a Bahia e a soberania do Brasil
Artigo do deputado federal Jorge Solla (PT-BA)










