Publicado em 23/10/2016 às 13h04.

A felicidade como caminho

Prazer e dor fazem parte da vida. Para ser feliz, é preciso saber integrar todas as nossas emoções, boas e ruins, e aprender com elas

Adriana Prado

 

Estrada feliz (imagem ilustrativa) Foto: site Conexão D Jovens
Imagem ilustrativa  (Foto: site Conexão D Jovens)

 

Não adianta querer comprar, alugar, doar, emprestar ou vender.

Felicidade não é um produto tangível e nem está disponível por aí. Também não é um objetivo que encontraremos quando um dia formos bem-sucedidos, depois de uma vida cheia de lutas e sacrifícios. “Ser feliz” trata-se de um estado de espírito no momento presente, uma forma de viver a vida, um caminho a seguir.

Focar muita atenção no passado, nos deixa melancólicos. No futuro, ansiosos. Focar muito nas tristezas e derrotas da nossa vida, nos rouba a felicidade, mas tentar focar somente no positivo, reprimindo os sentimentos negativos inerentes à vida humana, também não nos ajuda a ser feliz.

Felicidade não é alegria constante, nem ausência de sofrimento, isso é ilusão ou fantasia. Até porque a vida é cheia de situações que inevitavelmente nos fazem sofrer. Felicidade também não é uma simples consequência de pensar positivo. Até porque apenas os nossos pensamentos não são capazes de criar o nosso destino. E quando supervalorizamos esse poder, acabamos nos sentindo culpados por algo de ruim que sempre acontece.

Felicidade é uma escolha, uma decisão pessoal. Segundo Susan David, professora da Escola de Medicina de Harvard e autora do livro “Emotional Agility”, felicidade é o subproduto de perseguir coisas que têm valor intrínseco para nós, é a principal consequência de fazer algo que você ama. Em outras palavras, focar em “ser feliz” ou colocar a felicidade como uma meta a ser perseguida e alcançada a qualquer custo, pode nos levar à infelicidade, ao longo do tempo.

Isso porque emoções como culpa, tristeza e raiva são sintomas dos nossos valores. Ninguém se sente culpado, fica triste ou com raiva sobre coisas que não importam. Afastar essas emoções da nossa vida, sob o pretexto de “ser feliz”, significa ignorar a nossa própria essência e o que é importante para nós, aquilo que no final das contas, é o que verdadeiramente nos traz felicidade.

Felicidade é um conjunto de habilidades que sustenta o nosso mundo interior com coragem, curiosidade e compaixão.

 

A ideia de que poderíamos abafar nossas emoções e pensamentos ruins para ser feliz, não faz sentido

 

 

Prazer e dor fazem parte da vida. Para sermos felizes, temos que saber integrar todas as nossas emoções, boas e ruins, e aprender com elas. Quando não estamos treinados, somos pegos de surpresa e acabamos afetando a nossa escolha pessoal de felicidade. Felicidade não é um porto seguro. É uma decisão difícil. Dá trabalho. Exige esforço constante.

Felicidade é um conjunto de habilidades que sustenta o nosso mundo interior com coragem, curiosidade e compaixão. Habilidades que podem ser aprendidas e desenvolvidas. Tem a ver com a nossa capacidade de enfrentar as nossas emoções, entendê-las e, em seguida, optar por avançar de maneira alinhada com nossos objetivos e congruente com nossos valores pessoais.

Sair com amigos para se divertir, é prazer. Trabalhar naquilo que se gosta, é ter realização pessoal e significado. Sentir-se parte de algo maior, é encontrar um propósito na vida. E, segundo Martin Seligman, fundador da Psicologia Positiva, tudo isso é importante para uma felicidade autêntica. Mas o que vai determinar essa felicidade é o caminho que escolhemos para vivenciar esses três aspectos de maneira equilibrada, ou seja, a nossa atitude perante a vida.

Algumas coisas simples ajudam muito nesse caminho, e foram comprovadas e divulgadas pelos principais autores da nova ciência da felicidade: buscar o autoconhecimento, comer saudável, fazer exercício físico, dormir suficiente, respirar corretamente, parar pra meditar, criar e cultivar conexões significativas na vida pessoal e no trabalho, exercitar a gratidão, praticar atos conscientes de bondade e de amor ao próximo.

No final das contas, não é somente a nossa genética e o ambiente externo em que estamos inseridos que determinam a nossa felicidade. Nossas escolhas diárias têm um peso decisivo nessa trajetória e podem nos ajudar muito, inclusive potencializando os outros aspectos.

A encruzilhada entre ser ou não feliz, vai estar sempre colocada à nossa frente.

E você, que caminho vai escolher?

Adriana Prado

Adriana Prado tem 25 anos de experiência em Recursos Humanos. Atualmente mora em São Paulo, é mestranda em Liderança Positiva e consultora da “The Edge Group”, empresa equatoriana pioneira em programas de crescimento pessoal e organizacional na América Latina, através da aplicação das descobertas da Psicologia Positiva, a Ciência da Felicidade.

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